segunda-feira, 25 de março de 2013

V - A TOMADA FALHADA DO TEMPLO - 7. O ACORDO DE RENDIÇÃO OU TRAIÇÃO DE JESUS, por arturjotaef

Los cainitas dicen que Caín nació de una Potestad superior, y se profesan hermanos de Esaú, Coré, los sodomitas y todos sus semejantes. Por eso el Hacedor los atacó, pero a ninguno de ellos pudo hacerles mal. Pues la Sabiduría tomaba para sí misma lo que de ellos había nacido de ella. Y dicen que Judas el traidor fue el único que conoció todas estas cosas exactamente, porque sólo él entre todos conoció la verdad para llevar a cabo el misterio de la traición... Para ello muestran un libro de su invención, que llaman el "Evangelio de Judas". - San Ireneo.

clip_image001

Figura 1: "The Kiss of Judas" is a traditional depiction of Judas by Giotto di Bondone, c. 1306. Fresco in the Scrovegni Chapel, Padua.

TRAIÇÃO

Judas disse a Jesus, "Olha, o que esses que foram baptizados em teu nome vão fazer"?  Jesus disse, " Verdadeiramente eu digo [a ti], este baptismo [56] [feito em] meu nome [----?aproximadamente nove linhas perdidas?----] para mim. Verdadeiramente [eu] diga a você, Judas, [esses que] oferecem sacrifícios a Saklas [, o que diz: eu sou] Deus [----?três linhas que perdem?----] tudo o que é mau.

"Mas você excederá todos eles. Pois você sacrificará o homem que me veste. Já os teus cornos se elevam, a tua ira se ascende, a tua estrela resplandece, e teu coração tem […]. [57] -- O EVANGELHO DE JUDAS

No Apócrifo de João escrito aproximadamente 200 AD (várias versões de qual foram encontradas na biblioteca de Nag Hammadi), o Demiurgo tem o nome “Yaltabaoth,” e proclama-se como Deus:

“Agora o Arconte (regra) que é fraco tem três nomes. O primeiro nome é Yaltabaoth, o segundo é Saklas (“o ridículo”), e o terceiro, Samael. E ele é incrível pela arrogância que está nele. Porque ele disse, “eu sou Deus e não há nenhum outro Deus ao lado de mim”, porque ele ignora a sua da força e o lugar de onde veio.” [6]

Saklas seria o nome secreto do deus que os essénicos supunham ser adorado em Jerusalém.

καὶ ὁ ἀριθμὸς αὐτοῦ ἑξακόσιοι ἑξήκοντα ἕξ.

kai ho arithmos autou hexa-kosioi hexē-konta hex.

Anticristo = 666 = χ (fon. Xi) + ξ (fon. kz) + ϝ (fon. w) = Chakzw = Jesu!

 

ISCARIOTES

A ter sido a ressureição de Cristo o resultado político dum equívoco decorrente duma mera conspiração para que Jesus pudesse sobreviver à cruz a verdade é que esta conspiração não teria sido possível sem um trabalho disciplinado duma equipa de entidades ocultas de que os discípulos não faziam parte porque dela não estiveram notoriamente ao corrente, excepto talvez o mais injustamente odiado de todos, Judas Iscariotes.

Judas was, as his second name indicates, a native of Kerioth or Karioth. The exact locality of Kerioth (compare Joshua 15:25) is doubtful, but it lay probably to the South of Judea, being identified with the ruins of el Karjetein (compare A. Plummer, article”Judas Iscariot” in HDB). Book of Joshua 15:25 and Hazor-hadattah and Kerioth-hezron * (that is, Hazor ).

It is hard to believe that Judas betrayed Jesus for so little money. More probably he thought that in doing so he was helping Jesus to realise his aim. When, after Jesus' death, he did not see any manifestation that Jesus was the Messiah, he hanged himself in disillusionment, not in remorse.

O apelido "Iscariotes" é muitas vezes atribuído a Judas. Em algumas partes onde os Novos Testamentos Ingleses têm "Iscariotes", o texto grego realmente tem "apo Kariotou", que significa "de Karyot". Karyot era o nome de uma cidade em Israel, provavelmente o moderno lugar conhecido em árabe como Karyatein. Portanto, vê-se que o nome Iscariotes é derivado do Hebreu "ish Karyot", que significa "homem de Karyot". Isto é, com efeito, a compreensão aceite hoje em dia, pelos Cristãos, do nome. No entanto, no passado, os Cristãos entendiam mal este nome, e nasceram lendas de que Judas era da cidade de Sychar, e que ele era um membro do partido extremista conhecido como Sicarii, e que ele era da tribo de Issacher. O mais interessante mal entendimento do nome é a sua primitiva confusão com a palavra scortea, que significa uma bolsa de couro. Isto levou ao mito do Novo Testamento de que Judas carregava uma tal bolsa, o que por sua vez levou à crença de que ele era o tesoureiro dos apóstolos. -- O MITO DO JESUS HISTÓRICO, Hayyim ben Yehoshua

Judas Iscariot = The Apostle who betrayed his Divine Master. The name Judas (Ioudas) is the Greek form of Judah (Hebrew "praised"), a proper name frequently found both in the Old and the New Testament. Even among the Twelve there were two that bore the name, and for this reason it is usually associated with the surname Iscariot [Heb. "a man of Kerioth" or Carioth, which is a city of Judah (cf. Joshua 15:25)]. There can be no doubt that this is the right interpretation of the name, though the true origin is obscured in the Greek spelling, and, as might be expected, other derivations have been suggested (e.g. from Issachar). -- The Catholic Encyclopedia, Volume VIII

Ahora nos encontramos con un tal Simón Iscariote. Lo cita Juan (6,70) como el padre de Judas Iscariote:

Juan 6,71

71 Hablaba de Judas Iscariote, hijo de Simón; porque éste era el que le iba a entregar, y era uno de los doce.

(Muchas otras versiones Bíblicas dicen: “…Judas, hijo de Simón Iscariote…”; e inclusive la versión griega: “…τον ιουδαν σιμωνος ισκαριωτην…”

Juan 12,4

4 Y dijo uno de sus discípulos, Judas Iscariote hijo de Simón, el que le había de entregar

En ciertos manuscritos se habla también de Simón Iscariote. Por ejemplo, en el utilizado por san Jerónimo para su Vulgata latina, versión oficial de la Iglesia católica:

lohanem, 6, 72

dicebat autem Iudam Simonis Scariotis hic enim erat traditurus eum cum esset unus ex duodecim

La versión protestante sinodal de 1926 traduce asimismo Simón Iscariote.

Se ha pretendido hacer derivar el nombre de Iscariote de una aldea denominada Karioth. Judas y Simón serían “hombres (en hebreo: ish) de Karioth”. Pero esa traducción es muy “discutible. En efecto, en la época mesianista no aparece citado entre los autores antiguos ningún pueblo que se llame así. De hecho, Judas y su padre Simón son los hombres (en hebreo: ish) de la sica, el terrible puñal de los sicarios, y que les dio su nombre: ishi-karioth.

Y, por otra parte, ¿cómo sostener que Simón y Judas, su hijo, podían ser de un pueblo llamado Karioth, cuando se nos había precisado en otro lugar que la morada de Simón y de Andrés (su hermano), morada común, y por lo tanto familiar, se hallaba en Cafarnaúm?

“Llegaron a Cafamaúm...” (Marcos 1,21) [y] “Al salir de la sinagoga fueron con Santiago y Juan a casa de Simón y Andrés. La suegra de Simón estaba en cama...” (Marcos 29-30.)

Por último, ese Judas, hijo de Simón el Zelota, es también calificado así en un apócrifo etíope, el Testamento en Galilea de Nuestro Señor Jesucristo, en el capítulo II, versículo 12:

“Nosotros, Juan, Tomás, Pedro, Andrés, Santiago, Felipe, Bartolomé, Mateo, Natanael, y Judas Zelota...”.[1]

Em boa verdade parece que no livro de Josué Kerioth significaria apenas cidades, ou seja, um termo tão genérico como Kartu, de Melkart, com o qual se aparenta etimologicamente. Keret era um herói lendário frequentemente referido na literatura fenícia de Ugarit.

Em conclusão, como Judas Iscariotes era filho de Simão Iscariotes tal pode que significar que poderemos estar perante um mero gentílico. Claro que é irrelevante saber o verdadeiro nome da terra de origem deste arquétipo dos traidores de lesa-majestade mas o certo é que não deixa de ser estranho o apelido deste apóstolo.

Is-kar'-i-ot ó Grec. Iskariotes, i.e. 'ish qeriyoth,”man of Kerioth”ou

«Escarificar» < Ishkaryat < Ishkur-| Jat < Udjat, literalmente “o olho supervisor de Ishkur” > xeriot > zeliot > «zelote».

                          > Ashkur > Shakul + ash > Sakulas > Saklas.

Na verdade são vários os autores a afirmarem que Iscariote era o mesmo que zelote, ou afinal um mero servo de Iskur / Saklas, seita secreta sombria e arcaica de guerreiros do filhos de Deus das tempestades que entre os judeus se transformaram em zelotas e sicários e que em certas regiões do Iraque mantêm a festa do “ashura”, uma forma bárbara e grotesca, com autoflagelações até ao extremo sangramento, de prova de fé xiita para expiação da negligência que levou ao martírio de Hussein. Ora, nem por acaso, parece que Maomé reporta esta festa à tradição judaica.

 

Ver: II - A ORIGEM DO CANIBALISMO Ameríndio, EM PARTICULAR (***)

 

Assim, é forte a possibilidade de estarmos perante mais uma prova de que os evangelhos foram redigidos com os recursos retóricos da oralidade os quais permitiam envolver personagens históricas desconhecidas de que se queria falar no contexto de figuras míticas conhecidas numa espécie de descrição estereotipada de personagens por analogia com máscaras míticas.

Neste caso, como Ishkur / Saklas pode ter sido a figura central dos arcaicos ritos de morte e ressurreição da caldeia, é bem possível que Judas Iscariote fosse uma espécie mítica daquilo que efectivamente se suspeita que tenha sido, o sicário secreto, guarda-costas e homem de confiança de Jesus. Dito de outro modo, grande parte dos sobrenomes, muitas vezes de origem grega, dos personagens evangélicos podem ser invenções dos narradores evangélicos que durante o cerca de meio século de oralidade a que eles estiveram sujeitos durante ritos iniciáticos d morte e ressurreição, os Agapé dos actos dos apóstolos, na fase inicial do cristianismo!

But it is significant that both in Matthew and Mark the account of the anointing is closely followed by the story of the betrayal: "Then went one of the twelve, who was called Judas Iscariot, to the chief priests, and said to them: What will you give me, and I will deliver him unto you?" (Matt., xxvi, 14-5); "And Judas Iscariot, one of the twelve, went to the chief priests, to betray him to them. Who hearing it were glad; and they promised him they would give him money" (Mark, xiv, 10-1). In both these accounts it will be noticed that Judas takes the initiative: he is not tempted and seduced by the priests, but approaches them on his own accord. St. Luke tells the same tale, but adds another touch by ascribing the deed to the instigation of Satan: "And Satan entered into Judas, who was surnamed Iscariot, one of the twelve. And he went, and discoursed with the chief priests and the magistrates, how he might betray him to them. And they were glad, and convenanted to give him money. And he promised. And he sought opportunity to betray him in the absence of the multitude" (Luke, xxii, 3-6). St. John likewise lays stress on the instigation of the evil spirit: "the devil having now put into the heart of Judas Iscariot, the son of Simon, to betray him" (xiii, 2).

But these textual difficulties and questions of detail fade into insignificance beside the great moral problem presented by the fall and treachery of Judas. In a very true sense, all sin is a mystery. And the difficulty is greater with the greatness of the guilt, with the smallness of the motive for doing wrong, and with the measure of the knowledge and graces vouchsafed to the offender. In every way the treachery of Judas would seem to be the most mysterious and unintelligible of sins. For how could one chosen as a disciple, and enjoying the grace of the Apostolate and the privilege of intimate friendship with the Divine Master, be tempted to such gross ingratitude for such a paltry price? And the difficulty is greater when it is remembered that the Master thus basely betrayed was not hard and stern, but a Lord of loving kindness and compassion. Looked at in any light the crime is so incredible, both in itself and in all its circumstances, that it is no wonder that many attempts have been made to give some more intelligible explanation of its origin and motives, and, from the wild dreams of ancient heretics to the bold speculations of modern critics, the problem presented by Judas and his treachery has been the subject of strange and startling theories. As a traitor naturally excites a peculiarly violent hatred, especially among those devoted to the cause or person betrayed, it was only natural that Christians should regard Judas with loathing, and, if it were possible, paint him blacker than he was by allowing him no good qualities at all. This would be an extreme view which, in some respects, lessens the difficulty. For if it be supposed that he never really believed, if he was a false disciple from the first, or, as the Apocryphal Arabic Gospel of the Infancy has it, was possessed by Satan even in his childhood, he would not have felt the holy influence of Christ or enjoyed the light and spiritual gifts of the Apostolate.

At the opposite extreme is the strange view held by the early Gnostic sect known as the Cainites described by St. Irenaeus (Adv. Haer., I, c. ult.), and more fully by Tertullian (Praesc. Haeretic., xlvii), and St. Epiphanius (Haeres., xxxviii). Certain of these heretics, whose opinion has been revived by some modern writers in a more plausible form, maintained that Judas was really enlightened, and acted as he did in order that mankind might be redeemed by the death of Christ. For this reason they regarded him as worthy of gratitude and veneration. In the modern version of this theory it is suggested that Judas, who in common with the other disciples looked for a temporal kingdom of the Messias, did not anticipate the death of Christ, but wished to precipitate a crisis and hasten the hour of triumph, thinking that the arrest would provoke a rising of the people who would set Him free and place Him on the throne. In support of this they point to the fact that, when he found that Christ was condemned and given up to the Romans, he immediately repented of what he had done. But, as Strauss remarks, this repentance does not prove that the result had not been foreseen. For murderers, who have killed their victims with deliberate design, are often moved to remorse when the deed is actually done. A Catholic, in any case, cannot view these theories with favour since they are plainly repugnant to the text of Scripture and the interpretation of tradition. However difficult it may be to understand, we cannot question the guilt of Judas. On the other hand we cannot take the opposite view of those who would deny that he was once a real disciple. For, in the first place, this view seems hard to reconcile with the fact that he was chosen by Christ to be one of the Twelve. This choice, it may be safely said, implies some good qualities and the gift of no mean graces.

Moreover, Jesus quotes from Ps. 41 and attributes it to Judas in Jn. 13:18b. That full verse from Ps. 41 is: "Even my close friend, whom I trusted, he who shared my bread, has lifted up his heel against me," v.9. Please note that Judas was once Jesus' "close friend whom I [Jesus] trusted"!

Much discussion and controversy have centered, not only around the discrepancies of the Gospel narratives of Judas, but also around his character and the problems connected with it. That the betrayer of Jesus should also be one of the chosen Twelve has given opportunity for the attacks of the foes of Christianity from the earliest times (compare Orig., Con. Cel., ii.12); and the difficulty of finding any proper solution has proved so great that some have been induced to regard Judas as merely a personification of the spirit of Judaism. The acceptance of this view would, however, invalidate the historical value of much of the Scriptural writings. The acceptance of this view would, however, invalidate the historical value of much of the Scriptural writings. Other theories are put forward in explanation, namely, that Judas joined the apostolic band with the definite intention of betraying Jesus. The aim of this intention has again received two different interpretations, both of which seek to elevate the character of Judas and to free him from the charge of sordid motives and cowardly treachery. According to one, Judas was a strong patriot, who saw in Jesus the foe of his race and its ancient creed, and therefore betrayed Him in the interests of his country. This view is, however, irreconcilable with the rejection of Judas by the chief priests (compare Matthew 27:3-10). -- The International Standard Bible Encyclopedia

Sendo a passagem de Mat. 27: 3-10 um mero preâmbulo para chegar à conclusão de que a traição de Jesus correspondia a um mero cumprimento das profecias torna-se duvidosa a sua veracidade histórica pois, pela lógica racional mais elementar, as passagens bíblicas deste tipo são todas suspeitas de interpolações piedosas à posteriori na medida em que o profetismo era seguramente um recurso ideológico de baixa política clerical e não um dom premonitório que os modernos tivessem perdido!

O que os sumos-sacerdotes rejeitaram foi o arrependimento de Judas e não o seu acto inicial, o que só pode fazer todo o sentido. Mesmo o que se segue só não faz sentido, de acordo com o que se sabe sobre os tabus religiosos judaicos, por não coincidir com o que é referido nos actos dos apóstolos.

The chief priests took the pieces of silver and said,” It is not lawful to put them into the temple treasury, since it is the price of blood.”27:7 - And they conferred together and with the money bought the Potter's Field as a burial place for strangers. 27:8 - For this reason that field has been called the Field of Blood to this day.

De facto, os actos referem que foi Judas quem comprou o campo, seguramente pedregoso e íngreme, no meio do qual Judas veio a morrer num aparatoso acidente agrícola. (J!) Marcos, que terá sido a fonte original dos evangelhos, nada diz sobre o destino de Judas, nem Lucas nem João, o que reforça a suspeita de interpolação do evangelho de Mateus. Sendo Mateus um cobrador de impostos natural seria que fosse este o controlador das economias do grupo. Teria Mateus motivos para culpar Judas pelos seus próprios pecados de zelador parcial de dinheiros comunitários? As histórias de traição, sobretudo nos bastidores de narrativas com intriga política, costumam ter muitos ouvintes. O facto de as primeiras fontes não terem sentido necessidade disso coloca a hipótese de não ter havido traição alguma.

Em conclusão, o destino trágico de judas é uma teatralização posterior forçada pela necessidade de dar um remate exemplar ao crime de traição de Judas.

It would treat Judas as a mere instrument, as a means and not an end in the hands of a higher power: it would render meaningless the appeals and reproaches made to him by Jesus and deny any real existence of that personal responsibility and sense of guilt which it was our Lord's very purpose to awaken and stimulate in the hearts of His hearers. John himself wrote after the event, but in the words of our Lord there was, as we have seen, a growing clearness in the manner in which He foretold His betrayal. The omniscience of Jesus was greater than that of a mere clairvoyant who claimed to foretell the exact course of future events. It was the omniscience of one who knew on the one hand the ways of His Eternal Father among men, and who, on the other, penetrated into the deepest recesses of human character and beheld there all its secret feelings and motives and tendencies. -- The International Standard Bible Encyclopedia.

As incoerências de teorias interpretativas de eventos históricos baseadas pressupostos de fé só podem atingir as raias do absurdo. Obviamente que, se Cristo sabia que iria ser traído e morrer na cruz e nada fez para obstar a cadeia de acontecimento que iria começar na decisão de Judas então instrumentalizou as fraquezas deste pecador! Se não se tratasse de oportunismo político tratar-se-ia de um gritante aproveitamento místico dum pecado de traição o que colocaria o preço da salvação acima do livre arbítrio e as teorias da predestinação na rota do jansenismo, ou seja uma trapalhada de incoerência e paradoxos teológicos sem fim! Obviamente que o que aconteceu foi muito mais simples. Tanto Jesus quanto Judas sabiam perfeitamente o que estava em jogo e a revelação que Cristo fez ao discípulo amado foi uma mera inconfidência entre amantes. A este respeito as analises quase sempre brilhantes de Donovan Joyce, no seu livro: a outra história de Jesus, parecem-me falhar redondamente porque se desviam da sua metodologia fundamental que é a dum rigoroso racionalismo policial.

Esta parte da decisão de Jesus – se não toda – deve ter deparado com protestos violentos, pois, como o demonstra a ansiedade deles, descrita nos evangelhos, nenhum queria arrostar com o desprezo de toda a Galileia por ter entregado o seu Rei e merecer a injusta fama de o ter traído. Mas um dos Doze tinha que o fazer – e fê-lo; ora, como teria esse sido escolhido? Embora os evangelhos difiram no método, pouca discussão pode haver da sugestão de que o problema se resolveu por simples lotaria; ou entregando Jesus uma sopa de pão ao homem que escolhera, ou, como dois evangelhos referem, escolhendo aquele que mergulhasse o pão no prato ao mesmo tempo que Jesus.

Em rigor se existe algum eco de natural ansiedade dos discípulos sobre a traição de Jesus os indícios de escolha por lotaria precedida de amplo e violento debate são mínimos e especulativos. De resto e pouco credível uma escolha que já estava preparada de há muito tempo.

João 13:21Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito, e declarou: Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há de trair. 22Os discípulos se entreolhavam, perplexos, sem saber de quem ele falava. 23Ora, achava-se reclinado sobre o peito de Jesus um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava. 24A esse, pois, fez Simão Pedro sinal, e lhe pediu: Pergunta-lhe de quem é que fala. 25Aquele discípulo, recostando-se assim ao peito de Jesus, perguntou-lhe: Senhor, quem é? 26Respondeu Jesus: É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. Tendo, pois, molhado um bocado de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27E, logo após o bocado, entrou nele Satanás. Disse-lhe, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa. 28E nenhum dos que estavam ã mesa percebeu a que propósito lhe disse isto; 29pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe queria dizer: Compra o que nos é necessário para a festa; ou, que desse alguma coisa aos pobres. 30Então ele, tendo recebido o bocado saiu logo. E era noite.

João dá assim, a entender que o conhecimento do nome do traidor ficou restrito a Pedro e ao discípulo amado e que o estratagema da entrega do pão molhado era apenas um processo para que a inconfidência não passasse disso mesmo. Em qualquer dos casos estamos longe dum amplo debate sobre quem deveria ou não entregar Jesus. E a razão pela qual não me parece que faça sentido neste ponto muito particular, a tese de D. Joyce reside por um lado, no facto de toda a estratégia conspirativa para iludir a cruz e libertar Barrabás ter escapado aos evangelistas e ter existido sempre a ideia de que judas foi um efectivo traidor.

Marc. 14: 10Então Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes para lhes entregar Jesus. 11Ouvindo-o eles, alegraram-se, e prometeram dar-lhe dinheiro. E buscava como o entregaria em ocasião oportuna. (…)

17Ao anoitecer chegou ele com os doze. 18E, quando estavam reclinados à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me. 19Ao que eles começaram a entristecer-se e a perguntar-lhe um após outro: Porventura sou eu? 20Respondeu-lhes: É um dos doze, que mete comigo a mão no prato. 21Pois o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! bom seria para esse homem se não houvera nascido.

clip_image002

Mateus repete Marcos:

Mat: 26: 14Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os principais sacerdotes, 15e disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata. 16E desde então buscava ele oportunidade para o entregar. (...)

20Ao anoitecer reclinou-se ã mesa com os doze discípulos; 21e, enquanto comiam, disse: Em verdade vos digo que um de vós me trairá. 22E eles, profundamente contristados, começaram cada um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor? 23Respondeu ele: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá. 24Em verdade o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traido! bom seria para esse homem se não houvera nascido. 25Também Judas, que o traía, perguntou: Porventura sou eu, Rabí? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.

Lucas sumariza minimalistamente ambos:

Luc 22: 1Aproximava-se a festa dos pães ázimos, que se chama a páscoa. 2E os principais sacerdotes e os escribas andavam procurando um modo de o matar; pois temiam o povo. 3Entrou então Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, que era um dos doze; 4e foi ele tratar com os principais sacerdotes e com os capitães de como lho entregaria. 5Eles se alegraram com isso, e convieram em lhe dar dinheiro. 6E ele concordou, e buscava ocasião para lho entregar sem alvoroço. (…)

21Mas eis que a mão do que me trai está comigo à mesa. 22Porque, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído! 23Então eles começaram a perguntar entre si qual deles o que ia fazer isso.

Em todo o caso, o que ressalta é a anterioridade da traição à escolha do traidor o que não faria qualquer sentido. Obviamente que a escolhe teria sido possivelmente imposta ao próprio Jesus, fosse por forças das circunstâncias fosse por pressão política da facção radical dos zelotas a que Judas pertenceria ou melhor com que Jesus se teria politicamente comprometido enquanto candidato messianico. A irritação de Judas na cena da unção de Betânia é então mais elucidativa do que nunca. Judas já sabia que esta cena não fazia sentido porque Jesus tinha sido destituído da sucessão ao trono judeu, fosse em detrimento de seu filho Barrabás na tese de Joice, fosse na que a história veio a referir em detrimento de seu irmão Tiago. Porém, parece que os restantes discípulos nada saberiam de tudo isto como aliás não saberiam de nada da restante conspiração zelota. Falhada a insurreição da “expulsão dos vendilhões do templo” só restava a Jesus entregar-se para salvar, ou o filho ou os irmãos ou ambos.

A existência deste filho herdeiro ou era filho de um mestre da família de Jesus, quiçá um sobrinho, ou era um segredo de estado que nenhum discípulo conhecia. Seria filho de Marta, que seria a primeira mulher de Jesus antes de ter aparecido Maria Madalena? Será esta a razão porque o evangelho de João omite a referência a Barrabás? Seria Judas um verdadeiro traidor ou meramente um importuno mensageiro do império da necessidade? Estaria Jesus apenas irritado com Judas pelo simples facto de este ser o instrumento vivo da sua paixão ou teria Judas assumido passar-se para o lado da facção zelosa que impunha a rendição de Jesus? Bom, neste caso a situação acabaria mais grave porque pressuporia que Jesus preferiria ir até ao fim com a sua luta messiânica colocando em risco a vida de Barrabás ou dos que estavam por detrás deste estranho personagem. Se este fosse mesmo seu filho, ou encobrisse uma troca de prisioneiros ilustres que incluiriam parentes seus, Jesus estaria a manifestar-se excessivamente humano na sua desumanidade e egoísmo! Na verdade, Jesus estaria apenas irritado tanto com Judas como estaria consigo próprio por ter falhado a insurreição e ter-se colocado numa situação politicamente insustentável.

3 Então, Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, 4 dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo. 5 E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar. 6 E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito metê-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue. 7 E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros. 8 Por isso, foi chamado aquele campo, até ao dia de hoje, Campo de Sangue. 9 Então, se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que certos filhos de Israel avaliaram. 10 E deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou.

Irenaeus mentions a Gospel of Judas in his anti-Gnostic work Adversus Haereses (Against Heresies), written in about 180. He writes there are some who:  declare that Cain derived his being from the Power above, and acknowledge that Esau, Korah, the Sodomites, and all such persons, are related to themselves. . .They declare that Judas the traitor was thoroughly acquainted with these things, and that he alone, knowing the truth as no others did, accomplished the mystery of the betrayal; by him all things, both earthly and heavenly, were thus thrown into confusion. They produce a fictional history of this kind, which they style the Gospel of Judas. [4]



[1] http://ateismoparacristianos.blogspot.com/2011/04/pedro-y-los-problemas-de-su-nombre-y.html

Sem comentários:

Enviar um comentário