sábado, 30 de março de 2013

VII TEOLOGIA & MÍTICA CRSTÃ - 1. RESSURREIÇÃO ESPIRITUAL, por arturjotaef.

 

Obviamente que a questão do escândalo da ressurreição de Jesus só se coloca porque o milagre da ressurreição só seria uma alteração absoluta à ordem natural das coisas e à única lei absoluta que é a morte (de acordo com princípio inexorável da entropia termodinâmica) se tivesse havido morte efectiva e não morte aparente como desde muito cedo foi uma das explicações mais sensatas para o que de facto aconteceu!

Eles (os judeus) disseram com ostentação "Nós matamos Jesus Cristo, o filho de Maria", mas eles não o mataram, nem o crucificaram, mas tal foi feito para que assim lhes parecesse como tal…porque seguramente eles não o mataram. Surat-un Nisaa:157)[1].

"And because of their saying (in boast), ‘We killed Messiah ‘Eesa (Jesus), son of Maryam (Mary), the Messenger of Allah,’ - but they killed him not, nor crucified him, but it appeared so to them the resemblance of ‘Eesa (Jesus) was put over another man (and they killed that man)], and those who differ therein are full of doubts. They have no (certain) knowledge, they follow nothing but conjecture. For surely; they killed him not [i.e. ‘Eesa (Jesus), son of Maryam (Mary)]: But Allah raised him [‘Eesa (Jesus)] up (with his body and soul) unto Himself (and he is in the heavens). And Allah is Ever All Powerful, All Wise." [al-Nisaa’ 4:157-158]

But according to the Jewish belief the soul of the dead person remained near his body for three days, at the end of which it departed and corruption set in. Therefore three days and three nights were fixed for his sojourn in hell, and a comparison was made with the prophecy of the Prophet Jonah,3 though by doing so the following prophecy had to be overlooked: After two days will He revive us: in the third day He will raise us up, and we shall live in His sight.

Obviamente que a ressurreição espiritual é a única compatível com a judaimo, tanto farisaico quanto essénio, que, contra o parecer materialista e conformista dos saduceus, aceitavam a ressurreição dos mortos mas apenas em espírito!

A maneira de viver dos fariseus não é fácil nem cheia de delícias: é simples (…) Eles julgam que as almas são imortais, julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste — virtuosas ou viciosas — e que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida, e outras retornam a esta.

(…) A opinião dos saduceus é que as almas morrem com os corpos e que a única coisa que somos obrigados a fazer é observar a lei, sendo um ato de virtude não tentar exceder em sabedoria os que a ensinam. (…) Os essênios, a terceira seita, atribuem e entregam todas as coisas, sem exceção, à providência de Deus. Crêem que as almas são imortais, acham que se deve fazer todo o possível para praticar a justiça e se contentam em enviar as suas ofertas ao Templo, sem oferecer lá os sacrifícios, porque o fazem em particular, com cerimônias ainda maiores. -- Flávio Josefo, HISTÓRIA dos HEBREUS de Abraão à queda de Jerusalém. Traduzido por Vicente Pedroso.

Assim, entre o delírio da ressurreição física dos cristãos de tradição pagã e a cepticismo materialista dos sadoceus os cristãos primitivos seguiriam a opinião dos fariseus, a começar por S. Pedro.

“Então o levaram a uma reunião do Areópago, onde lhe perguntaram: ‘Podemos saber que novo ensino é esse que você está anunciando? Você está nos apresentando algumas ideias estranhas, e queremos saber o que elas significam” (…) “Quando ouviram sobre a ressurreição dos mortos, alguns deles zombaram, e outros disseram: ‘A esse respeito nós o ouviremos outra vez’. Com isso, Paulo retirou-se do meio deles’” (Atos 17)

Obviamente que Paulo estava a falar com filósofos gregos onde haveria muitos cépticos que nem na alma acreditavam. No entanto o sentimento pagão comum ainda era o das religiões dos mistérios que acreditavam na morte e ressurreição de Atis, Adónis e Osíris entre outros deuses pascais desse tempo.

18Cristo também sofreu. Ele morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos pecadores, para levar-nos a Deus. Foi morto fisicamente e tornou a viver pelo Espírito.

19E foi no Espírito que visitou e pregou aos espíritos em prisão, 20os daqueles que já antes recusaram obedecer a Deus, apesar da paciência com que Deus esperava, enquanto Noé construia a arca, na qual apenas oito pessoas se salvaram da morte no dilúvio 21E isto é uma figura do baptismo, que agora vos salva pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo. -- 1 Pedro 3

Obviamente que esta primeira epístola de S. Pedro seria considerada herética senão tivesse sido subtilmente manipulada!

Os últimos doze versículos do Evangelho de S. Marcos não se achavam nos manuscritos originais mais antigos pelo que nos dispensamos de comentar o que pensaria Marcos da realidade física de Jesus ressurrecto. O Evangelho de Mateus que segue de perto o de Marcos parece acontecer algo idêntico, ou seja, haver uma interpolação a partir do momento idêntico do texto omisso de Marcos que por sinal tem alguma semelhança que a versão longa e espúria de Marcos. Ainda assim é reveladora de alguma informação que o torna parecido com o evangelho de Mateus segundo os ebionitas e segundo os hebreus, que obviamente não acreditavam em idolatrias do tipo da ressurreição da carne.

Mateus 28: 16 E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. 17 E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.

Lucas, o gentio Paulino, como sempre divaga sobre o que não sabe e tropeça na verdade! Fala sobre os discípulos de Emaus que noutro ponto se suspeitou serem duas mulheres herodianas, Cleópatra de Jerusalém e Maria Salomé que noutros textos perdidos andariam nomeadas porque, por motivos políticos relacionados com herança apostólica, a ressurreição foi considerada como um mito fundador do cristianismo desde muito cedo.

Lucas 24: 33 E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém e acharam congregados os onze e os que estavam com eles, 34 os quais diziam: Ressuscitou, verdadeiramente, o Senhor e já apareceu a Simão.

Ora, a menos que se tratasse de outro Simão que não Pedro, até aí o que Lucas tinha escrito dizia o contrário.

Lucas 24: 12 Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro e, abaixando-se, viu só os lenços ali postos; e retirou-se, admirando consigo aquele caso.

O resto do texto de Lucas seria quase gnóstico se não tivesse sido eventualmente manuseado.

Lucas 24: 36 E, falando eles dessas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. 37 E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. 38 E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? 39 Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. 40 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 E, não o crendo eles ainda por causa da alegria e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? 42 Então, eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um favo de mel, 43 o que ele tomou e comeu diante deles.

Eles não acreditaram nem ninguém de bom senso acreditaria! O problema é que também nenhum deles se atreveu a perguntar a Jesus se de facto ele tinha efectivamente morrido ou apenas entrado em coma durante menos de três dias!

 

1 A RESSURREIÇÃO TRANSCENDENTAL de S. Paulo.

No entanto, S. Paulo, que fez do centro da fé cristã a ressurreição de Jesus Cristo, foi um dos judeus que se deixou levar pelas aparências de que os milagres podem acontecer porque têm que acontecer para que a utopia tenha sentido. E a miragem do paraíso perdido dos deuses pascais era uma tradição muito antiga que teria no culto fenício de Adónis uma grande simpatia popular mesmo entre os judeus sobretudo nos meios rurais da Galileia, de há muito habituados à mística da “terra prometida” que a política do tempo tornava cada vez mais instável, distante e utópica.

Não podemos retrospectivamente provar o triunfo de Jesus sobre a morte mas nada no plano meramente espiritual nos impede de aceitar a perspectiva paulina de que a ressurreição de Jesus foi formalmente metafórica e espiritual, ou seja, transcendental, numa perspectiva moderna e kantiana. Nos antípodas duma concepção materialista o pressuposto da ressurreição espiritual de Jesus Cristo, baseia-se também no senso comum a quem repugna a ideia desta coisa nunca vista: um morto poder ressuscitar em carne e osso!

Se Jesus morreu de facto então teria ressuscitado como um fantasma, ou seja, na acepção dos modernos espíritas, como materialização ectoplásmica dum espírito que é o mesmo que um medonho fantasma em linguagem comum. Esta era a acepção dos gnósticos e foi a que, no seio dum messianismo exclusivamente espiritual, mais depressa levou à divinização de Jesus Cristo.

S. Paulo frisava bem que a carne era corruptível e, como tal não poderia entrar no reino céu sem se tornar incorrupta.

O mito da “carne incorrupta” era uma espécie de sonho empirista caro aos povos arcaicos porque antes da descoberta do frigorífico e dos processos modernos da conservação alimentar o segredo da sua posse marcaria a diferença entre a vida e a morte em períodos de carestia alimentar. Como é de regra em todos os processos míticos, a importância social do sonho gera a utopia e esta o mito que no caso da “carne incorrupta” levou à descoberta dum conjunto de técnicas artesanais de conservação da carne que passavam pela utilização de conservantes naturais como a salmoura, a carne em vinha d´alhos, e sobretudo a desidratação pela secagem ao sol, em fumeiro ou pelo sal que acabaria no embalsamamento Egípcio!

Deixando de lado a referência a outros processos naturais de conservação das virtudes alimentares de outros alimentos que passaram pela aquisição da mestria em diversos processos de fermentação natural importa referir que o mito da “carne incorrupta” se deve ter tornado particularmente fascinante na exacta proporção em que a experiência da corrupção dos cadáveres humanos terá sido também traumatizante tanto perante os corpos mortos dos parentes e amigos como perante a perspectiva da própria morte! A especulação em torno dos processos empíricos de controlo da corrupção da carne alimentar terá levado no Egipto à aplicação de algumas destas técnicas no embalsamamento e mumificação dos animais e humanos divinizados criando-se deste modo a mitologia da “carne incorrupta”. Primeiro como divina, porque reservada aos deuses encarnados, e mais tarde santa porque já disponível aos eleitos a aquém Deus concedia o privilégio da santificação canónica mas que no conceito popular da incorruptibilidade se teria que manifestar em processos naturais de mumificação! Claro que a relação entre a mumificação egípcia e a “carne incorrupta” paulina vai a distância entre a superstição da literalidade e a sofisticação sublimada das utópicas ideias gerais!

De qualquer modo a ideia que S. Paulo fazia da ressurreição de Jesus era igual à dos fariseus ou seja apenas segundo o espírito:

“Então Paulo, sabendo que alguns deles eram saduceus e os outros fariseus, bradou no Sinédrio: ‘Irmãos, sou fariseu, filho de fariseu. Estou sendo julgado por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos!’ Dizendo isso, surgiu uma violenta discussão entre os fariseus e os saduceus, e a assembleia ficou dividida (os saduceus dizem que não há ressurreição nem anjos nem espíritos, mas os fariseus admitem todas essas coisas). Houve um grande alvoroço, e alguns dos mestres da lei que eram fariseus se levantaram e começaram a discutir intensamente, dizendo: ‘Não encontramos nada de errado neste homem. Quem sabe se algum espírito ou anjo falou com ele?’ A discussão tornou-se tão violenta que o comandante teve medo que Paulo fosse despedaçado por eles. Então ordenou que as tropas descessem e o retirassem à força do meio deles, levando-o para a fortaleza” (Atos 23:6-10)

Nos termos do próprio Paulo verificamos que nunca se chega verdadeiramente a comprometer com uma ressurreição física explícita.

E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vocês” (Romanos 8:11)

O problema é que a semântica do tempo de Jesus era ambígua e o espiritualismo confundia-se com o vitalismo! S. Paulo acabaria também ambíguo e crente numa ressurreição de Cristo que era meio espiritual meio física ou seja de uma nova entidade sobrenatural que no caso de Jesus deixava de ser humana para ser divina como Cristo.

Por alguma razão o credo apostólico foi substituído pelo credo de Niceia porque não acreditam ambos na mesma ressurreição!

Credo apostólico: Credo in Spiritum Sanctum, (…), carnis resurrectionem, et vitam aeternam.

Credo de Niceia: Et exspecto resurrectionem mortuorum, Et vitam ventúri sæculi.

De facto, ressurreição da carne não é exactamente o mesmo que ressurreição dos mortos que os fariseus resumiam a crença na ressurreição da alma!

 

2 A RESSURREIÇÃO MÍSTICA dos Gnósticos.

Os que dizem que o Senhor morreu primeiro e (então) se levantou estão enganados, pois ele primeiro se levantou e (depois) morreu. Se alguém não alcança primeiro a ressurreição ele não morrerá. Assim como Deus vive, ele iria ...– Evangelho de Filipe

A lógica estranha e hermética deste raciocínio de Filipe só é compreensível se aceitarmos que o conceito místico da ressurreição decorria dos míticos cultos pascais que tinham como suporte metafórico tanto o nascer quotidiano do sol como o seu renascimento anual! Na verdade, todo o evangelho de Filipe parece ser tão-somente um conjunto de homilias utilizadas em mistérios baptismais e / ou em ágapes nupciais de crisma pascal! É nesta acepção que se entende o termo “levantar” como sendo uma situação tal que terá naturalmente que preceder a morte final a qual, esta sim, já não permite então qualquer tipo de renascimento! Neste aspecto, Filipe parece ir de encontro ao senso comum encarando a “morte” como assunto irreversível para a materialidade deste mundo! Como corolário, Filipe parece negar a possibilidade da morte de Jesus na cruz o que se compreende aceitando que, enquanto gnóstico, estaria a par dos segredos essénicos relativos aos mistérios ocultos relacionados com as movimentações dos discípulos secretos de Jesus que acompanharam José de Arimateia depois da deposição de Jesus! Além do mais, para um gnóstico, Jesus Cristo enquanto Deus só por absurdo poderia morrer!

No entanto, Filipe perde a clareza quando postula como premissa que quem não ressuscitar primeiro não morrerá porque então, das duas, uma: ou todos os mortais teriam fatalmente que ressuscitar antes de morrerem ou os deuses só são imortais enquanto não tiverem ressuscitado o que implicaria, como corolário necessário, a impossibilidade de Jesus Cristo ressuscitado poder ser Deus! Ora, a verdade é que este paradoxo aparentemente insanável entre a razão-pratica e a fé gnóstica de Filipe decorre do uso transfigurado da própria linguagem comum. Ou seja, os cristãos, como todos os revolucionários apaixonados subvertem e reinventam a linguagem com vista à criação duma “boa nova” absolutamente inovadora à luz da qual promovem a alteração da realidade vigente que entendem tão intolerável como se o tivera sido sempre! Na verdade, assim parece ser a lógica subversiva de Filipe porque encara a ressurreição não como uma passagem objectiva da morte efectiva para a vida mas acima de tudo, como algo de transcendente que nada tem a ver com a morte mas apenas com um renascimento místico dos crentes em corpo e alma por intermédio da adesão ao cristianismo.

É certo que o facto do evangelho de Filipe ter chegado até nós incompleto nos deixa na impossibilidade de esclarecer de forma cabal os paradoxos do pensamento filipino. No entanto, a frase incompleta assim como Deus vive, ele iria ...” implica já a confusão semântica entre vida e existência o que explica em parte a razão pela qual os espiritualistas (e, sobretudo e naturalmente, os espíritas!) são sempre vitalistas.

Em boa verdade, uma das principais razões pelas quais os gnósticos se tornaram indesejáveis para o senso comum, que tem acalentado o processo evolutivo do cristianismo, reside precisamente na falta de clareza dos seus escritos e na forma pouco cuidada com que a ânsia de altos voos metafísicos os faziam perder-se em aventuras especulativas de lógica duvidosa. Se o dogmatismo ortodoxo configura pontualmente um ou outro salto mortal do pensamento, a confusa prolixidade especulativa dos gnósticos é quase um risco constante de precipitação nos abismos do absurdo. E esta obscuridade continua em versículos como o seguinte:

Porém o filho não é somente um filho, pois reclama a herança do pai. Os que herdam dos mortos estão eles mesmos mortos e herdam os mortos (???). Os herdeiros do que é vivo estão vivos e são herdeiros tanto do que está vivo como do morto. Os mortos não são herdeiros de nada. Pois como pode aquele que está morto herdar? – Evangelho de Filipe.

Esta mistura de verdades óbvias e simples do senso comum com afirmações sibilinas tão paradoxais quanto contraditórias tem feito, ao longo dos séculos, a fortuna de muitos pregadores e vendilhões do templo bem como as delícias de quem gosta de se enganar com sombras chinesas e de ser apanhado nas redes engenhosas da sofística! Esta era, quase seguramente, a retórica obscura e infalível que lavava as almas dos neófitos dos mistérios antigos tal como afogava de piedade os místicos cristãos e ainda consegue lavar os cérebros dos que frequentam os cursilhos do catolicismo moderno ou se preparam para guerras santas da jiade islâmica…ou outras.

Um eixo doutrinário específico, constituído pelo anúncio jubiloso do Evangelho, através de um método próprio (querigmático-vivencial) facilitaria a conversão entusiasmada de muitos jovens e a sua inscrição nas fileiras da JACE. A conquista do mundo para Cristo era sua bandeira. Esse foi o objectivo específico daqueles primeiros cursilhos denominados: "Cursilhos de Conquista", em 1952-53. (...) O método característico do Movimento surgiu do seu cunho vivencial, testemunhal, simples, honesto e transparente (???), ainda que o entusiasmo daí resultante pudesse tocar, de preferência, na emotividade das pessoas, o que não deixava de ser sumamente oportuno. --[2]

Obviamente que Filipe divaga sobre a duplicidade dos conceitos postulando como não viventes os que não foram ressuscitados com Cristo pelo pela “água viva” do baptismo, que confere a vida eterna a quem a bebe, como dizia Jesus à Samaritana e repetiu na ultima ceia aos seus discípulos dizendo "Aquele que não come a minha carne e bebe o meu sangue não tem vida em si" (Jo 6:53)!

O pagão não morre, pois ele nunca viveu para que possa morrer. Aquele que acreditou na verdade encontrou a vida e corre o perigo de morrer, pois está vivo. -- Evangelho de Filipe.

Mas a falta de rigor silogístico faz com que Filipe, ao abusar dos recursos linguísticos, crie paradoxos tais como admitir como corolário que os pagãos não morrem porque nunca viveram enquanto os cristãos correm o risco de morrer porque encontraram a vida! Dito de outro modo, a subversão da linguagem envolve uma tal pirueta retórica que recoloca os crentes na posição de detentores exclusivos da normalidade, própria do senso comum, onde deveriam permanecer todos os descendentes de Adão, sujeitos à lei natural da morte pelo “pecado original”, mas da qual Filipe excluiu arbitrariamente os não crentes!

Antes do Cristo alguns saíram de um lugar no qual não conseguiam mais entrar e foram para onde não mais conseguiam sair. Então veio o Cristo. Ele retirou aqueles que entraram e pôs para dentro os que saíram. Quando Eva ainda estava em Adão a morte não existia. Quando ela se separou dele a morte passou a existir. Se ele entrar outra vez e alcançar o seu ser primordial, a morte deixará de existir. – Evangelho de Filipe.

A sensação com que se fica é que Sócrates foi um ateu apenas por ter combatido a crendice e a má-fé dos sofistas que parecem ter sido os mestres da gnose e, duma forma geral, de todos os que têm espírito de beatos ou de fanáticos! E a subversão da linguagem continua atingindo o ponto máximo da perversão da própria realidade ao ponto de Filipe ousar dizer:

A partir da vinda de Cristo, o mundo foi criado, as cidades embelezadas e os mortos levados embora. -- Evangelho de Filipe.

Com este remate de Filipe ficamos sem saber onde estava o Deus da criação iniciada no Géneses e a suspeitar que os mortos seriam os justos do velho testamento que teriam deixado o limbo com a ressurreição de Cristo, os vivos seriam os cristão e, entre estes, existiria neste mundo o inferno da inexistência onde ficariam os pagãos como entes fictícios, nem mortos, nem vivos! No entanto, parece que o esclarecimento dos pressupostos da linguagem hermética de Filipe se encontram a pairar nos versículos seguintes:

Ou se está neste mundo, na ressurreição ou no local intermediário. Deus me livre de me encontrar lá! Neste mundo existe o bem e o mal. As coisas boas do mundo não são boas, e as coisas más não são más. Porém, depois deste mundo, existe mal que realmente é mal - o que é chamado de "o meio," o lugar intermediário. É a morte. Enquanto se está neste mundo é apropriado buscar-se a ressurreição, para que, quando venhamos a despir-nos da carne possamos encontrar o descanso e não caminhar no meio. Porque muitos se perdem no caminho. É melhor sair do mundo antes de pecar. Alguns nem querem nem podem; outros não tiram proveito mesmo querendo: pois eles não agiram de acordo, (eles acreditam,) ( ... ) torna-os pecadores. E se não querem, a justiça vai se esquivar deles em ambos os casos: e será sempre uma questão da vontade e não da acção. – Evangelho de Filipe.

Neste caso, o limbo estaria à espera dos cristãos que morreriam em pecado? Mesmo assim, como entender a soma de paradoxos que envolvem afirmações absurdas como a seguinte:?

Se aquele que está morto herda o que é vivo ele não morrerá, mas o que está morto viverá ainda mais.Evangelho de Filipe.

Obviamente que com este género de subversão da linguagem não é possível acompanhar a fé com a razão!

O assunto da ressurreição era intelectualmente ingrato tanto para a tradição grega do Hades como para o racionalíssimo helénico e seria fonte de graves descensões religiosas entre as diversas facções de judeus.

The doctrine of resurrection of the dead was a highly debated issue in the first century, when the two prominent sects of Jews were the Pharisees, who believed in a bodily resurrection, and the Sadducees, who did not. Rabbi Gamaliel set forth the Pharisaic arguments by quoting sources his opponents could respect.4 Gamaliel cited the Torah, "And the Lord said unto Moses, “Behold, thou shalt sleep with thy fathers; and this people will rise up”.

Assim, as posições gnósticas e espiritualistas foram sempre contraditórias e confusas e, por isso, apenas aceitáveis por um número restrito de iniciados no submundo místico dos mistérios e uma das razões que tornou a sua aceitação popular impossível e determinou o seu fim como heresia.

Recrimino os outros que dizem que (a carne) não ressuscitará, pois uns e outros estão errados. Tu que dizes que a carne não ressurgirá, diz-me, então, o que ressuscitará para que te possamos aplaudir. Falas do Espírito na carne, que é também esta luz na carne. (Porém) isto também é matéria que se encontra na carne, pois tudo o que disseres, não estará fora da carne. É preciso ressurgir nesta carne, já que tudo existe nela. Neste mundo, aqueles que usam roupas valem mais do que as vestes. No Reino dos Céus, as vestes valem mais do que os que as usam. (...) Há os que têm medo de ressurgir nus. Por isto querem ressurgir na carne. Não sabem que são aqueles que vestem a (carne) que estão nus. (São) aqueles que (receiam) despir-se que não estão nus. "Nem a carne (nem o sangue) herdarão o Reino de (Deus)." (1 Co 15:50). – Evangelho de Filipe.

A eficácia da retórica religiosa, tal como a da demagogia política costuma ser inversamente proporcional a sua razoabilidade, tecida de antinomias paradoxais. Os gnósticos, então, eram mestres do exagero hiperbólico e da magia hipnótica da verborreia repetitiva ad nausea e ao nonsense!

 

A VIDA PARA ALÉM DA MORTE

Obviamente que estamos já a pressupor a crença prévia na sobrevivência do espírito enquanto consciência de si a permanecer para além da morte! Porém, se hoje temos o bom costume de pedir argumentos na falta de provas evidentes para acreditar no que não vemos, os antigos precisavam de muito pouco para passarem da fantasia à ilusão e, com um pouco de ansiedade social, da paranóia ao delírio e da alucinação à fé na realidade invisível.

A maior das ansiedades resultaria do facto de o animal humano ser o que mais depende da vida familiar e social. A perda por morte súbita, quase sempre violenta, dos entes mais queridos gerou os mesmo sentimentos de luto que ainda hoje gera, quiçá com mais força e violência do que hoje porque quanto mais primitivos e pequenos eram os grupos humanos mais fortes e interdependentes eram os laços que os uniam. Mas as capacidades psíquicas dos humanos primitivos eram potencialmente as mesmas que hoje temos e os processos de reacção às perdas afectivas e ao luto seriam idênticas, senão mais violentas, colectivamente vividas de forma irracional e descontrolada.

O Processo de Luto Normal

Qualquer ruptura emocional ou perda de laço afectivo geram respostas emocionais específicas, cuja natureza abarca várias manifestações. Estas respostas emocionais estão associadas ao trabalho de elaboração psicológica da perda e de adaptação à perda, conhecido por Processo de luto.

As respostas típicas de um processo de luto organizam-se em quatro fases:

Fase de choque e negação: surge imediatamente após a perda e tem duração média de 1 a 14 dias. Habitualmente a pessoa não acredita no sucedido, sentindo-se perdida, só e apática. Estão presentes sintomas fisiológicos como a diminuição do apetite, insónias, náuseas e sensação geral de desconforto.

Fase do desespero e expressão da dor: é notória cerca de duas semanas após a perda. A descrença em relação ao sucedido desaparece, cedendo lugar à consciência da morte ocorrida. Os sintomas depressivos acentuam-se, havendo a ausência de interesse pelas actividades vitais e a alteração dos padrões normais de comportamento. São frequentes as pensamentos e sonhos sobre a pessoa perdida. Sentimentos como a raiva e a culpabilização quer para si, quer para os outros. Habitualmente esta fase tem a duração de 6 a 8 meses.

Fase de resolução e reorganização: caracteriza-se pela recuperação do interesse pela vida, pelo trabalho e pelas relações pessoais.

Obviamente que este texto se refere a um luto moderno e civilizado onde se pressupõe a existência de suportes psicológicos familiares e sociais culturalmente adequados. Mas os homens primitivos pertenciam a grupos tão íntimos que todos acabavam por participar no luto que deste modo em vez de se amortecer ampliava sinergicamente até a irrupção crítica do delírio e da loucura colectiva. Se juntarmos a estes postulados meramente teóricos a realidade plausível das intoxicações por substâncias psico-modificadoras por acidentes alimentares ou xamanisticamente premeditadas temos um cenário completo para colocar as primeiras culturas humanas perante a evidência dos espíritos.

Todas as religiões nasceram com os cultos dos mortos! O culto dos mortos aparece nos primórdios da história da humanidade como primeira e primacial prova da humanização do homo sapiens a partir do testemunho arqueológico encontrado no lixo desta mesma actividade humana! Do culto dos mortos, inferido a partir da forma como o homem primitivo tratava os seus cadáveres têm, o senso comum e, por arrastamento sensato, o pensamento científico deduzido como corolário que “a crença na vida para além da morte” terá sido a primeira ideologia humana.

Esta correlação e tão óbvia que leva a afirmações tão desnecessárias como a seguinte:

Archaeologists have discovered artifacts that suggest the ancient Assyrians believed in an afterlife. The ancient Assyrians buried their dead with a few of their favorite possessions, like weapons, drinking cups, and other small personal items. The poor would dig a hole somewhere and bury their dead at home. The rich would build a room just for the burial. In both cases, an oil lamp was kept burning near or at the gravesite, perhaps to light the way between worlds, or perhaps in honor of the deceased.

Na verdade, as crenças assírias sobre a vida depois da morte não diferiam em nada das prevalentes em todo o antigo mundo semita com poucas variantes entre si.

Os Mortos habitavam o Kur depois que morte que era o mesmo que a morte. Não era um lugar de purificação ou condenação, mas simplesmente a prisão dos mortos. A única actividade nesta vida vazia após a morte era comer e beber e o único alimento era pó. Porém, pessoas de grau mais elevado traziam os seus bens para os sustentar, como também os criados para os servir. (…)

Os Hititas não deixaram em qualquer texto sobrevivente nenhuma evidência que descrevesse o destino de mortais comuns na vida após a morte ou o lugar do morto depois de vida. Porém, esperava-se que os reis e as rainhas desfrutassem uma existência depois de morte, mas não há nenhuma evidência que eles fizessem qualquer esforço para influenciar este estado com orações ou oferendas. No entanto, mitos semelhantes de fertilidade, como o mito Hitita de Telepinus, que ele desce não a um submundo simbólico da natureza dormente; pelo contrário apenas se esconde dele. (…)

Mot, o deus Morte, presidia ao reino do submundo dos Canaanitas — um lugar húmido, escuro e desagradável, como uma sepultura. A entrada era pelo território da Morte, o deserto estéril e quente. Não há nenhuma evidência para indicar que o destino de mortais depois que morte fosse qualquer coisa diferente de cessação da vida. O submundo dos Canaanite era o equivalente de morte, e morte era o destino de todos os mortais. Porém, no mito Canaanite de fertilidade incluia a descida de Baal ao o inferno onde ele confrontou a Morte. -- About Ancient Near Eastern Hell Bay Eileen Gadiner.

Esta concepção de vida além-túmulo dos emitas, embora um pouco confusa, pressupunha a crença de que os mortos iam para junto de Nergal, o deus que guardava um reino de onde não se poderia voltar. A morte era a eterna prisão das almas. E havia uma razão de lógica no plano da economia mítica e da boa ordem cósmica para que assim fosse. Uma vez aceite a existência das almas havia que definir um plano de clivagem intransponível entre o mundo dos mortos e o dos vivos sem o qual a ordem cósmica ficaria em perigo tal como na mitologia relativista moderna as viagens no tempo uma vez postuladas não podem permitir qualquer alteração no decurso natural dos acontecimentos. Por outro lado, a civilização suméria revela-se-nos como tendo sido prática e realista típica duma comunidade que tinha acabado de conseguir uma razoável adaptação ecológica às condições e meios disponíveis e estabilizado a chamada revolução agrícola do neolítico.

Segundo a visão comum entre os historiadores a religião da Suméria estava principalmente orientada para as questões deste mundo. Os deuses não tinham neste um papel diferente da ordem natural, e nenhuma recompensa ou castigo seria dada aos seres humanos depois de morte porque com ela os seres humanos se tornavam apenas em sombras numa casa de pó, ou seja, em fantasmas desgraçados que ao longo de delongado tempo seriam reduzidos a nada e votados ao esquecimento. É muito provável que esta visão dos caldeus da vida depois da morte, desesperada e desencantada, seja uma inferência racionalista do século dezanove vitoriano inferida quer por contraste com a exuberância dos cultos funerários, já então vastamente, conhecidos dos egípcios quer por falta de literatura suméria sobre um jardim do éden, literatura esta que noutros campos era estranhamente prolixa e vasta. Poderia pensar-se que, por um qualquer motivo particular contingente ou de génio e mérito próprio a estudar, este povo teria uma confiança bastante na sua ordem social, expressivamente culminada no código de Hamurabi, que não necessitaria de usar do medo dos castigos depois da morte para levar os crentes ao cumprimento dos seus deveres quotidianos na medida em que os castigos a que estes estariam sujeitos nesta vida já seriam suficientes. O certo é que a cultura oriental, desde muito cedo fortemente patriarcal, sempre foi intransigente, rígida e justicialista, de tendência totalitária, hegemónica fanática e imperialista talvez precisamente por ter cortado muito cedo com a tradição matrialcal, tida como volúvel, caprichosa e irracional. Esta visão misógina da realidade feminina não era ainda a da suméria onde as mulheres tinham ainda um papel social importante e a protecção do direito mas acabou por ser a dos babilónicos, precisamente com o triunfo da mitologia de Marduque, reescrita no poema épico da criação, Enuma Elish, o deus que simbolicamente teria vencido a tentativa da deusa mãe para subverter a ordem social facto mítico que mais não seria do que a forma dos caldeus interiorizarem o cataclismo que pós fim à antiga ordem mediterrânica mediada pela talassocracia cretense. De qualquer modo, esta visão paternalista da ordem do mundo teve sempre a característica de privilegiar a eficácia do reforço negativo do castigo em detrimento da aprendizagem pela via do mérito. A civilização começou na escola da cidade que, por falta de identificação arqueológica segura, seria, até prova em contrário, no chão do templo mais próximo.

Um fato se salienta: a escola suméria tinha carácter autoritário. Em termos de disciplina, a palmatória era bastante utilizada. Enquanto que os professores provavelmente incentivavam seus estudantes por elogios e recomendações pelos bons trabalhos, era certo que dependiam da vara para corrigir os erros e as falhas. De Samuel Noah Kramer (History begins in Sumer, 1981, University of Pennsylvania Press, Philadelphia)

Assim, se a história dos severos castigos escolares é um dado seguro a possibilidade de ter havido incentivos que não fossem além da evidente vantagem na ascensão social não passa duma mera hipótese que o realismo e crueza da restante realidade social não confirmam. A palmatória permaneceu em Portugal até meados do século XX e até esta mesma altura o mérito pouco mais papel teve na educação que não fora além da exaltação de com ele se ficar a coberto desses mesmos castigos.

Esta tradição autoritária tipicamente semita, que atingiu o máximo do rigor sanguinário no império assírio, iria passar para o cristianismo e prevalecer na cultura ocidental até ao fim dos imperialismos modernos apesar (e muitas vezes em contradição com o culto mariano e com a doutrina do perdão) do amor divino e da caridade cristã! Na verdade, o paradoxo do exigente altruísmo da moral cristã, que muitas vezes descambou em autoritarismo beato e hipócrita, reside precisamente no ter sido necessário postular o exagero oposto ao egoísmo realista para colocar as sociedades do médio oriente do helenismo nos caminhos duma nova visão da humanidade, mais justa e mais compassiva!

32 E, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. 3 E, se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. (Lucas 6)

Parece assim que os caldeus não teriam paraíso celeste mas tinham seguramente uma concepção dos infernos que não era muito diferente do Hades helénico, aliás supostamente copiados dos fenícios que partilhavam o essencial da mitologia caldeia.

Toutes les anthropogonies mésopotamiennes expliquent que les dieux ont créé les humains de manière à en faire leurs serviteurs, chargés de leur entretien. De manière concrète, cet entretien passe par le culte qui est rendu aux dieux dans ce qui est considéré comme leur résidence, le temple. Les hommes pieux sont en principe assurés de la bienveillance divine à leur égard. En revanche, quiconque offenserait les dieux se place sous la menace d'une punition divine: maladie, disgrâce, difficultés économiques, etc.

O Kur sumério foi, seguramente o paradigma de todos os infernos subterrâneos deste mundo que nunca foram mais do que prisões perpétuas e submundos obscuros sem lei nem piedade. Se na vida quotidiana dos sumérios prevalecia a lei da pena de talião como lógica justicialista natural onde a escravatura era a regra e a prisão a excepção o sub-mundo dos mortos seria apenas a antecâmara prisional onde as almas se alimentavam de pó antes de acabariam no nada da lenta decomposição natural na medida em que os homens sem vida seriam de pouca utilidade para os deuses.

 “Ai torres da Babilónia, quem lá vai nunca mais torna!”, assim começava uma das versões contos a Branca Flor da minha infância!

Na história de Gilgamesh, a morte é algo a temer como se deduz da indagação extrema de Gilgamesh ao querer aliviar o seu amigo Enkidu das mãos frias da morte e se esta não fosse algo que só podia provocar horror e calafrios Gilgamesh não passado por penosos trabalhos para ajudar o amigo a sair dos infernos.

Outra razão para suspeitar que os Sumérios, e depois todos os semitas que herdaram deles esta ideologia mítica, temiam a morte, tem a ver com a história do dilúvio. Os deuses enfurecidos provocaram o dilúvio apenas porque o barulho dos humanos os incomodavam e apenas por esta fútil razão a raça humana foi miticamente apagada da terra. Isto era a prova de que os deuses eram os senhores da vida e os mestres do jogo fútil da morte onde os humanos não passavam de meros joguetes sujeitos aos caprichos e às birras divinas que a qualquer momento os poderiam destruir com grande vingança.

Muito antes de os homens temerem os deuses terão receado a morte por instinto natural de sobrevivência! E terão temido a morte dos que eram obrigados a matar, guerreiros ou caçadores adversários e animais perigosos, pela lógica intrínseca ao mesmo instinto, a autodefesa e a vingança! Na verdade, à falta de processos éticos de socialização, a vingança é a forma mais lógica de repor a ordem das coisas e o esboço nu e cru do ciúme divino justicialista, fanático e vingador, comum a religiões monoteístas da fase heróica. A sabedoria bíblica de que Abissus abissum invocat (Psal. XLI. Folio VIII.) manifesta uma primeira reflexão sobre a reacção de violência em cadeia que a lei de talião pode gerar na vida social. O direito privado da vingança gerava no íntimo das consciências humanas um ciclo em bola de neve de sentimentos ambivalentes de desejo de vingança, versus medo da retaliação que no caso de morte efectivo de um dos contentores iria continuar a auto alimentar-se com o medo da retaliação do espírito invisível do morto contra o qual os vivos não sabiam como responder! O medo dos espíritos dos inimigos gerou o conceito dos espíritos malignos. O respeito pelo espírito dos antepassados os espíritos familiares e protectores e o dos heróis fundadores terão sido a origem dos deuses.

Dar sepultura honrosa aos vencidos e aos mortos em geral seria uma forma de os antigos aliviarem o luto e se protegerem das almas penadas e insepultas que poderiam vingar-se sobre os vivos.

Assim se entende que mesmo as culturas que não valorizavam a vida depois da morte tivessem praticado escrupulosamente os ritos funerários. Por um lado para proteger os vivos dos mortos mal-amados por outro para honrar a memoria dos bem queridos!

These graves tell us a good amount of things about Mesopotamian burial habits. In the city of Ur, most people were buried in family graves under their houses (as in Catalhuyuk). Children were put in big jars and were taken to the family chapel. Other people were just buried into common city graveyards. A few people were wrapped in mats and carpets. In most graves some belongings of the people were with them. There were 17 graves with very precious objects in them; it is assumed that these were royal graves.

As primeiras culturas megalíticas começaram muito possivelmente como expressão levada ao paroxismo do desejo dos vivos construírem uma morada para os seus mortos mais queridos. Esta atitude começou seguramente desde os primeiros enterramentos nas cavernas paleolíticas onde se procederam aos primeiros rituais de luto até culminar nas construções tumulares megalíticas do neolítico de que a cultura tumular Egípcia foi a expressão mais monumental e fantástica e o culto de Osíris a maior força do mundo antigo da fé na crença do espírito para além dos mortos gerada por estes cultos de luto colectivos.

Na verdade, os mecanismos naturais do luto quando vivido colectivamente, como seria no caso dos grupos humanos primitivos, começam pela denegação do morto e podiam acabar no delírio dos fantasmas e dos espíritos dos mortos! A primeira denegação costuma durar pouco tempo perante a evidência do corpo morto e a passagem para o delírio fantasmagórico terá sido a regra em quase todas as sociedades pré-históricas de que os semitas herdaram a sua tradição sem a crença na ressurreição.

No entanto, após uso intenso e prolongado dos processos de enterro nos secos desertos do Egipto a mumificação natural terá começado a ser um acontecimento natural frequente. Este facto espantoso terá provocado nos egípcios uma perigosa regressão mnésica colectiva reactualizado a presença do morto já não apenas como fantasma mas como “carne incorrupta” que terá acabado na criação da crença da sobrevivência do morto para além da morte enquanto este permanecesse incorrupto. Se bem o especularam ao associarem a persistência do nome do morto na memória colectiva como condição da sua actualização na consciência colectiva longamente pensaram em encontrar processos artificiais que ajudassem a mumificação natural acabando por inventar a primeira grande indústria funerária da humanidade ao mesmo tempo que criavam para seu suporte ideológico a mitologia da sobrevivência em corpo e alma para além da morte. Com as especulações teológicas em volta da magia e força criativa das palavras pela via do sucesso do diálogo humano e dos discursos religiosos a crença no logos criativo acabaria por desaguar na crença da força do nome escrito como condição de vida eterna. Permanecer para além da morte na memória histórica era para os egípcios mais do que uma metáfora porque, para estes, a essência (ba) era meio caminho andado para a existência (ka) e o nome o seu suporte material.

Obviamente que a constatação de que nem todos os mortos enterrados no deserto estariam a salvo da corrupção natural levou à explicação mítica de que se havia privilegiados seria porque estes teriam sido santos em vida! Esta crença manteve-se na crendice popular do cristianismo até aos dias de hoje do mesmo modo que terão herdado dos egípcios a necessidade de colocarem lápides com os nomes dos mortos mesmo no mais humildes dos enterros.

Isis, en tant qu'épouse d'Osiris, est la déesse associée aux rites funéraires. Après  avoir retrouvé treize des quatorze parties du corps de son bien-aimé, assassiné et dépecé par Seth, son frère jaloux, elle lui insufla le soufle de la vie éternelle, et lui donna un fils Horus. Pour pouvoir jouir de la vie éternelle, les Égyptiens avaient besoin de faire conserver intact leur corps et leur nom. Être privé de l'un ou de l'autre était à leurs yeux le châtiment ultime. Le nom d'Akhénaton fut conscencieusement effacé de partout.

Segundo a idiologia mítica do grande negócio funerário dos Egípcios os elementos do indivíduo que sobreviviam à morte do corpo eram:

Ba – unia de perto a corpo –pássaro com cabeça humana que viaja para o submundo – poderia morrer numa segunda morte.

Ka – o ego gêmeo do indivíduo, força vital - memória do defunto, e as representações físicas que serviram manter esta memória activo – ka poderiam morrer uma segunda morte se esquecido.

Rn – o nome (que dava ren-ome!).

Swt – < Sawet, a sombra da pessoa de que ficava a sauda-de.

Hk3 – < He-ker < o car-isma da «figura» (< Ki-kur) pessoal.

Claro de depois de vários milénios de cultos dos mortos que, a partir das culturas peri-mediterrânicas neolíticas, prosperou no Egipto como uma grande industria funerária, tanto pela excelência da sua arquitectura tumular, das pirâmides faraónicas aos cemitérios comuns, quanto nos artesanatos subsidiários da complexa e dispendiosa mumificação, como nos rituais de manutenção e alimentação das almas dos mortos, a mitologia da morte e ressurreição de Osíris e dos vários deuses outros deuses solares de morte e ressurreição pascal que nasceram e se multiplicaram por toda a antiga civilização neolítica servindo-lhe de suporte ideológico, acabaria por se espalhar pelo mundo a crença atávica na sobrevivência para além da morte nas suas mais variadas formas quase sempre testemunhada e garantida por um deus nascido, violentamente morto e ao terceiro dia ressuscitado para a vida eterna.

Every culture has their own explanations for death and the afterlife. The Pythagoras belief of death was somewhat different of that of the people in the world of Gilgamesh. In the Pythagoras' world, death was not something to be afraid of They believed that fictitious stories gave people a fear that should never occur. The Pythagoras' believed that when a physical body dies, the soul within lives on. This soul can wander until it finds a physical body to possess, whether it is one a human or an animal. This will come into play when discussing the role that animals play in life.

Assim, tanto as várias manifestações dos mesmos deuses egípcios que precederam os avateres hindus, muitas vezes por razões de política mítica e boa ordem na complexidade divina dos vários nomos mas também pela teoria de que alguns deuses, particularmente os que iam ganhando mais preponderância entre os crentes, como Osíris, podiam ter vários kas, a teoria da reencarnação iriam fatalmente levar a teologia da reencarnação querida aos Hindus precisamente porque primeiro sistematizaram a teoria teológica dos avatares.

Considered the symbol of perfection, the Ka was the essence of Re; some gods could possess several Kas, which were directly bound to the essential qualities: Life, health, radiance, nobility, intelligence, creativity, success, the perception of the senses, stability, resistance to illness, and the arts of nutrition and of aging. -- The presence of Monotheism in the Egyptian religion, Author Jean-Claude Brinette

A transmigração das almas ou metempsicose é uma teoria diferente da reencarnação, seguida por alguns adeptos de ensinamentos místicos orientais, que propõe que o homem pode reencarnar de modo não-progressivo em animais, plantas ou minerais. Esta teoria não é aceita pelos adeptos da reencarnação, em ensinamentos religiosos ou esotéricos, e é considerada incompatível com o conceito de evolução por vidas sucessivas.

Esta teoria só não terá vingado no ocidente por percalço de política palaciana fútil, inconsistente e contraditória.

O Concílio de Constantinopla – 553 D.C. Vivaldo J. de Araújo

Até meados do século VI, todo o Cristianismo aceitava a Reencarnação que a cultura religiosa oriental já proclamava, milênios antes da era cristã, como fato incontestável, norteador dos princípios da Justiça Divina, que sempre dá oportunidade ao homem para rever seus erros e recomeçar o trabalho de sua regeneração, em nova existência.

Aconteceu, porém, que o segundo Concílio de Constantinopla, atual Istambul, na Turquia, em decisão política, para atender exigências do Império Bizantino, resolveu abolir tal convicção, cientificamente (???) justificada, substituindo-a pela ressurreição, que contraria todos os princípios da ciência, pois admite a volta do ser, por ocasião de um suposto juízo final, no mesmo corpo já desintegrado em todos os seus elementos constitutivos.

É que Teodora, esposa do famoso Imperador Justiniano, escravocrata desumana e muito preconceituosa, temia retornar ao mundo, na pele de uma escrava negra e, por isso, desencadeou uma forte pressão sobre o papa da época, Virgílio, que subira ao poder através da criminosa intervenção do general Belisário, para quem os desejos de Teodora eram lei.

E assim, o Concílio realizado em Constantinopla, no ano de 553 D.C, resolveu rejeitar todo o pensamento de Orígenes de Alexandria, um dos maiores Teólogos que a Humanidade tem conhecimento. As decisões do Concílio condenaram, inclusive, a reencarnação admitida pelo próprio Cristo, em várias passagens do Evangelho, sobretudo quando identificou em João Batista o Espírito do profeta Elias, falecido séculos antes, e que deveria voltar como precursor do Messias ( Mateus 11:14 e Malaquias 4:5 ).

Agindo dessa maneira, como se fosse soberana em suas decisões, a assembléia dos bispos, reunidos no Segundo Concílio de Constantinopla, houve por bem afirmar que reencarnação não existe, tal como aconteceu na reunião dos vaga-lumes, conforme narração do ilustre filósofo e pensador cristão, Huberto Rohden, em seu livro " Alegorias ", segundo a qual, os pirilampos aclamaram a seguinte sentença, ditada por seu Chefe D. Sapiêncio, em suntuoso trono dentro da mata, na calada da noite: " Não há nada mais luminoso que nossos faróis, por isso não passa de mentira essa história da existência do Sol, inventada pelos que pretendem diminuir o nosso valor fosforescente ".

E os vaga-lumes dizendo amém, amém, ao supremo chefe, continuaram a vagar nas trevas, com suas luzinhas mortiças e talvez pensando - " se havia a tal coisa chamada Sol, deve agora ter morrido ". É o que deve ter acontecido com Teodora: ao invés de fazer sua reforma íntima e praticar o bem para merecer um melhor destino no futuro, preferiu continuar na ilusão de se poder fugir da verdade, só porque esta fora contestada pelos deuses do Olimpo, reunidos em majestoso conclave.

A teoria da reencarnação sempre foi postulável à luz do novo testamento quanto mais não fosse por interpretação gnóstica do mais gnóstico de todos os evangelhos, o de S. João.

14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

15 João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia. (João)

Se a presença de Moisés e Elias na transfiguração pode ser interpretada como pressupondo a sua ressurreição em corpo e alma o facto de haver referencias nos evangelhos de que Jesus era tido como um novo João Baptista ao mesmo Elias ou Moisés ou qualquer outro dos profetas prova que a crença na reencarnação era espontaneamente popular entre os judeus.

Diz Manasses Ben Israel em um de seus livros: “A crença ou doutrina da Reencarnação, da transmigração das almas, é firme e infalível dogma aceite por toda a assembleia da nossa igreja, unanimente, de forma que nada exista que ouse negar isso. Na verdade, há um grande número de sábios, em Israel, que adere a essa doutrina, fazendo dela um dogma, um ponto fundamental da nossa religião. Estamos por tanto, no dever estricto de obedecer e aceitar esse dogma com aclamação, pois a verdade dele foi demonstrada, incontestavelmente, pelo Zohar e por todos os cabalistas”.

Assim, das várias crenças sobre a vida para além da morte disponíveis no tempo de Jesus a reencarnação, que iria ter na transmigração das almas uma variante asiática, a mais disparatadas será a da ressurreição física após uma morte efectiva equivalente à que fosse actualmente diagnosticável com devida a paragem cardio-respiratória irreversível com morte cerebral. Na verdade, no meio de todas estas especulações passou seguramente sempre o fenómeno naturalíssimo da “morte aparente” que, em tempos sem medicina de cabeceira nem serviços nacionais de saúde, seria tanto mais comum quanto o seriam as mortes mal diagnosticadas.

 

O COMPROMISSO GNÓSTICO DE S. JOÃO

Já, a este respeito, a posição de S. João parece ser ambígua. Por um alado parece ter entendido que Jesus pós ressurrecto ainda tinha as fragilidades que seriam de esperar em quem tinha acabado de sofrer o suplício da cruz:

João 20 17 Disse-lhe Jesus: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

Why not? Is he a bundle of electricity, a dynamo, that if she touches him, she might get electrocuted? No! "Touch me not!", because it would hurt. Though he appears normal to all intents and purposes, he had, nevertheless, been through a violent, physical and emotional ordeal. It would be excruciatingly painful if he allowed her any enthusiastic contact. Jesus continues: "For I am not yet ASCENDED unto my Father." (HOLY BIBLE) John 20:17 She is not blind. She can see the man standing there before her. What does he mean by "not yet ascended" — GONE UP — when he was DOWN right there? He is, in fact, telling her that he is not RESURRECTED from the DEAD. In the language of the Jew, in the idiom of the Jew, he is saying: "I AM NOT DEAD YETl" — He is saying: "I AM ALIVE!" "And they (the disciples), when they heard that he was ALIVE, and had been seen by her (Mary Magdalene),they BELIEVED NOT."

Mas logo adiante João descreve Jesus pós ressurrecto com a natureza dum ectoplasma assumindo uma teologia semi-gnóstica sobre a substância mística do corpus cristi como intermédia entre o espirito que atravessa paredes de portas fechadas e a dum corpo material que pode ser tocado, mostrar ferimentos e comer como qualquer ser vivo!

19 Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco! 20 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. (...) 22 E, havendo dito isso, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. (...). 24 Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25 Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. 26 E, oito dias depois, estavam outra vez os seus discípulos dentro, e, com eles, Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco! 27 Depois, disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. 28 Tomé respondeu e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! 29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram!

 

3 A RESSURREIÇÃO CURATIVA

A visão puramente espiritual e ritualista da missão sacerdotal com que os cristãos se conformaram, sobretudo a partir da idade média, a respeito pode ter sido devida ao helenismo de S. Paulo. Porém, lendo o mais clerical dos evangelhos ficamos a saber que a par da pregação do “reino de Deus”, que mais não seria que o projecto messiânico que os essénicos teorizavam desde a época dos Macabeus, Jesus, o terapeuta, complementava a missão teológica desta acção missionária dos apóstolos, de quase de intervenção política e social, com um conteúdo mais pragmático que envolvia actividades terapêuticas globais, tanto sobre as doenças da, alma como do corpo.

Mateus, 10: 1 E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda enfermidade e todo mal.

Ora, o interessante é que mais adiante, Jesus inclui neste leque de terapêuticas holísticas a “ressurreição dos mortos”. Assim, que o conceito de ressurreição usado por Jesus não poderia ter a conotação transcendental e sobrenatural que veio a ter na economia dogmática da teologia cristã demonstram-no os próprios evangelhos pois verificamos que em Mateus a capacidade para ressuscitar os mortos foi dada por Jesus aos seus apóstolos bem antes da sua própria ressurreição.

Mateus, 10: 7 e, indo, pregai, dizendo: É chegado o Reino dos céus. 8 Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demónios; de graça recebestes, de graça dai.

Então, se os discípulos de Jesus estavam preparados para praticarem em seu nome além da medicina geral uma forma de psiquiatria e um esboço de dermatologia devemos entender que também estariam adestrados em técnicas rudimentares de socorrismo com vista à “ressurreição dos mortos” porque, ainda hoje, a parte mais apelativa de todas as intervenções médicas de urgência é a reanimação. Sendo, na época, elevada a prevalência de “mortes aparentes”, a “ressurreição dos mortos” pela via da reanimação, se bem que espectaculares e arriscados, nem sequer seriam milagres assim tão difíceis de alcançar! A ressurreição de Jesus tornou-se um facto sobrenatural porque o triunfo sobre a odiosa cruz, que simbolizava o domínio romano, resultou duma transfiguração mística e religiosa da faceta política do messianismo judaico.

 



[1] “They (the Jews) said in boast “We killed Christ Jesus the son of Mary”. But they killed him not, nor crucified him, but so it was made to appear to them…for a surety they killed him not” (4.157).

[2] http://www.cursilho.org.br/historico.php

VI A PAIXÃO DE CRISTO 9. A PASCOA DA RESSURREIÇÃO DE JESUS REANIMADO, por arturjotaef

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Figura 1: Ressurreição de Cristo de Matthias Grunewald.

ALELUIA! Aleluia! Aleluia! “O deus menino”, Sol da Primavera” venceu o inverno e ressurgiu dos Infernos de entre os mortos na Páscoa da ressurreição!

The guards became so terrified that they became as dead and fled to the city and gave an account to the chief priest who, after deliberations in an assembly with the elders, decided to bribe the soldiers to tell a lie and say that the body of Jesus had been stolen by night by the disciples of Jesus. But this narrative is ridiculous on the face of it. To begin with, no mention is made anywhere else in the New Testament of the report of the soldiers to the chief priest, and in any case the soldiers ought to have reported to Pilate in the first instance. Secondly, it is unimaginable that the Sanhedrin in assembly, most of whom were Sadducees, would have believed the information so credible as to act on it. They would not have believed it and, in any case, they would not have taken any action without verifying the truth of this highly suspicious report. If they on enquiry had found the report to be true they would have charged the soldiers before Pilate for having allowed the body to be so stolen. It is impossible to believe that a college of seventy men would have officially decided on suggesting a falsehood and rewarding the person agreeing to tell a lie. Again, it is not possible to imagine that Pilate would have readily accepted the representation of the Jews. Indeed, from what little we know of him from the Gospels he must have remained unmoved. Roman soldiers knew too well the strictness with which discipline was administered and the promises to obtain immunity would have made no impression on them. They knew that the penalty for dereliction of duty was death. In the Acts, we actually find Agrippa I sentencing to death the soldiers who had allowed Peter to escape from prison.

This indeed was a true comparison: Jesus was buried alive and he came out of the tomb alive. Nowhere in the New Testament is Jesus represented as asserting his resurrection in the sense Christianity understands it to be. He prophesied that he would “rise again” and so he did: for he did “rise again” out of the very jaws of death. Before dealing with the question of the resurrection, there is one fact which I must mention: the whole of Christian antiquity was ignorant of this tomb of Jesus until it was rediscovered in Palestine under Constantine in 326 C.E.

It is often alleged that Jesus did not appear to his disciples in a physical body. But Ignatius in his Epistle to the Church at Smyrna wrote: I know and believe that He was in flesh even after the Resurrection, and when he came to those with Peter he said: “Take, handle me and see that I am not a bodiless phantom.” Origen quoted a similar passage from the Gospel of Peter. It has also been quoted and relied upon by Jerome and Eusebius. In the Gospel according to the Hebrews it is recorded: Now James had taken an oath that he would not eat bread.... (And the Lord said: Bring a table and bread; and he took the bread and blessed and broke; and afterwards gave it to James and said to him, my brother, eat thy bread for the son of Man has risen from the sleep.4 James was sceptical and Jesus said: Take hold and handle me and see that I am not an incorporal spirit. -- Jesus in Heaven on Earth [Journey of Jesus to Kashmir, his preaching to the Lost Tribes of Israel and death and burial in Srinagar] by Khwaja Nazir Ahmad > Chapter 11: Burial (of Jesus Christ).

Credo apostólico: Credo in Spiritum Sanctum, sanctam Ecclesian catholicam, sanctorum communionem, remissionem peccatorum, carnis resurrectionem, et vitam aeternam.

Credo de Niceia: Et exspecto resurrectionem mortuorum, Et vitam ventúri sæculi. Amen.

A pequena diferença entre os dois credos pode estar precisamente no facto de a ressurreição da carne na última vinda de Jesus Cristo começar a ser altamente improvável à medida em deixava de acontecer na geração dos discípulos e passava para os tempos longíquo do fim do mundo em todos os corpos seriam pó espalhado nos quatro cantos do universo. Assim a ressurreição das almas no emediato de acordo com o conceito fariseu passava a ser a crença mais sensata.

It is often alleged that Jesus did not appear to his disciples in a physical body. But Ignatius in his Epistle to the Church at Smyrna wrote: I know and believe that He was in flesh even after the Resurrection, and when he came to those with Peter he said: “Take, handle me and see that I am not a bodiless phantom.” Origen quoted a similar passage from the Gospel of Peter. It has also been quoted and relied upon by Jerome and Eusebius. In the Gospel according to the Hebrews it is recorded: Now James had taken an oath that he would not eat bread.... (And the Lord said: Bring a table and bread; and he took the bread and blessed and broke; and afterwards gave it to James and said to him, my brother, eat thy bread for the son of Man has risen from the sleep. 4 James was sceptical and Jesus said: Take hold and handle me and see that I am not an incorporal spirit.

É certo que Lucas, com os fracos conhecimentos médico-legais da época, não teve dúvidas em testemunhar que a natureza de Jesus pós ressurrecto não era a de um espírito porque este actuou nas últimas aparições aos seus discípulo com as necessidade fisiológicas próprias dum ser humano:

Lucas 24 37 E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. 38 E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? 39 Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. 40 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 E, não o crendo eles ainda por causa da alegria e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? 42 Então, eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um favo de mel, 43 o que ele tomou e comeu diante deles.

A ressurreição total em corpo e alma era de facto um escândalo racionalista mas seria, por isso mesmo, a única adequado a um ser com poderes divinos e aquela que a tradição egípcia ansiava desde os maios antigos tempos faraónicos. Mas, desde os primórdios do cristianismo, tal maneira de encarar a ressurreição esbarrou sempre na aceitação de que Jesus, tal como Lucas o refere, não apareceu como fantasma aos seus discípulos, aspecto que veio a ser determinante na vitória da ortodoxia sobre o gnosticismo.

Comparemos Mateus e Marcos:

Marc. 16. 1 E, passado o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram aromas para irem ungi-lo. 2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol, 3 e diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? 4 E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande. 5 E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida e branca; e ficaram espantadas. 6 Porém ele disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram.[1]

Mat. 28. 1 E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.

2 E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra, e sentou-se sobre ela. 3 E o seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste branca como a neve. 4 E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados e como mortos. 5 Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscai a Jesus, que foi crucificado.[2]

Os versículos de Mateus de 28.2 – 28.5 são uma óbvia interpolação muito posterior porque, além de faltar em S. Marcos que, supostamente, o terá precedido e inspirado, interrompe abruptamente o discurso que até ia decorria normalmente desde a manhã de segunda-feira de Páscoa até que as santas Marias entraram no túmulo vazio! A veracidade naturalista destes versículos é altamente crítica na medida em que coloca em cena um imprevisível terramoto de modo demasiado oportuno, ou seja, um típico milagre que, ainda que possível naquela região do médio oriente, iria facilitar a vida aos autores cristãos da “conspiração para ludibriar a cruz” que estava em curso e sobretudo iria responder no futuro às objecções racionalistas que o senso comum já colocara com antecedência na boca das santas mulheres do versículo 16: 3 de Marcos. Na verdade, Mateus excedeu-se porque, com a ajuda do terramoto já não seria necessária a ajuda dum anjo que em marcos era apenas um jovem mensageiro essénico.

Marc. 16: 3e diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? 4 E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande.

Ora, milagre idêntico com terramotos e sepulcros a abrirem-se teriam lendariamente ocorrido três dias antes, no dia da morte de Cristo, de acordo com o relato do mesmo Mateus.

In a lost work referred to by Julius Africanus in the third century, the pagan writer Thallus reportedly claimed that Jesus's death was accompanied by an earthquake and darkness. However, the original text is in fact lost, and we can confirm neither the contents of the text or its date. It is possible that Thallus was merely repeating what was told to him by Christians, or that the passage which Africanus cites is a later interpolation. Outside of the New Testament, no other references to earthquakes or unusual darkness occur in the contemporary literature. This is very surprising, given the effect these sorts of events would presumably have had on the populace.

(…) The testimony (supposed, as the work in question is now lost) of Thallus is also worthless on the historicity question. Julius Africanus, in a surviving fragment, states that Thallus in the period before 221 CE, wrote that the darkness which supposedly covered the earth at the time of the Crucifixion was due to the death of Jesus. He is merely telling what the Christians of the time believed. We have no evidence at all that there ever even was an eclipse at the time when Jesus was supposedly crucified.

Julius Africanus is the father of Christian chronography. Little is known of his life and little remains of his works. --

Para réplica, o terramoto do dia de Páscoa teria sido muito tardio e é da responsabilidade de mesmo Mateus, o mestre dos mestres eclesiásticos cristãos!

As versões dos restantes sinópticos são bem mais comedidas, sobretudo a de Marcos que, também a este respeito, parece ter sido a versão original e a origem equívoca desta lenda construída a partir dum facto que nunca teria existido fora duma mera metáfora!

Marc. 15: 37 E Jesus, dando um grande brado, expirou. 38 E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo.

Mat: 27, 50 E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. 51 E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as rochas 52 E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; 53 E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos.

Luc. 44 E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, 45 escurecendo-se o sol; e rasgou-se ao meio o véu do templo. 46 E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou.

Mateus copiou literalmente Marcos interpolando decorações retóricas de tipo naturalista em torno duma expressão da Marcos et velum templi scissum est in duo a sursum usque deorsum” que mais não seria do que uma belíssima figura de estilo, decalcada do gesto histérico, tipicamente judaico, de rasgar as vestes em sinal de dor e de luto, e que teria o significado simbólico de marcar o “ponto de ruptura” entre o novo e o velho testamento expressa aqui simbolicamente pela típica ira de Jeová!

v38: The tearing of the Temple curtain recalls the sky ripping open and the spirit of God descending on Jesus in Mark 1. Frank Zindler (2003, p70) has argued that this dates the Gospel of Mark after 75, when the veil of the Temple was on display in Rome, and treats this pasage in Mark as an aetiological myth.

Se assim fosse, Marcos descrevendo o seu evangelho já depois da queda de Jerusalém estaria, de forma velada, a descrever a responsabilidade dos judeus pela morte de Jesus e a consequente queda de Jerusalém. Esta tese deveria ser corrente entre os primeiros cristãos porque, nos comentários à descrição de Josefo sobre a responsabilidade dos judeus pela morte de Tiago, o justo, os exegetas cristãos contrapõem com a morte de Jesus. De resto, a metáfora da ruptura do véu do templo pode ter sido uma mera forma de marcar a ruptura que os discípulos sentiram com o judaísmo oficial e acabaria por resultar formalmente na passagem do velho para o novo testamento ocorrida in tempore mortis Domini.

However, there is no need to see the passage in this manner. David Ulansey (1991) points out that Josephus described the curtain in the Temple as having a picture of the heavens on it. With this in mind, he argues: "In other words, the outer veil of the Jerusalem temple was actually one huge image of the starry sky! Thus, upon encountering Mark's statement that "the veil of the temple was torn in two from top to bottom," any of his readers who had ever seen the temple or heard it described would instantly have seen in their mind's eye an image of the heavens being torn, and would immediately have been reminded of Mark's earlier description of the heavens being torn at the baptism. This can hardly be coincidence: the symbolic parallel is so striking that Mark must have consciously intended it." Josephus makes it clear that the Temple was a microcosm of creation, in which the outer parts represented the sea and the land, but the interior, where even the priests were highly restricted from, was heaven where God resided. The veil of the Temple, which screened the Holy of Holies, was thus a barrier between heaven and earth. (Barker 1988).

Aos exageros de Mateus, de fazerem tremer os céus e a terra, Lucas preferiu a suavidade dum eclipse solar de 3 horas! A verdade é que tal seria astronomicamente impossível em tempo de páscoa precisamente porque a fase lunar em que esta festividade móvel teria ritualmente que acontecer seria na primeira lua cheia da primavera o que torna impossível a ocorrência dum eclipse solar nesta época do ano, em qualquer tempo e lugar.

According to McDowell, Evidence that Demands a Verdict, "Thallus, a Samaritan-born historian mentioned Christ in 52 C.E. However his works are no longer extant, so we have only citations of it by others...Julius Africanus, a Christian writing about 221, says, talking about the darkness that fell when Christ was crucified, 'Thallus, in the third book of his histories, explains away this darkness as an eclipse of the sun -- unreasonably, as it seems to me.' (It is unreasonable because the crucifixion was at Passover, which is based on the lunar calendar and requires a full moon. When there's a full moon, the moon is at the opposite side of the earth from where it has to be for an eclipse.)". -- John P. Meier, A Marginal Jew - Rethinking the Historical Jesus, Vol. 1.

No entanto, o evangelho de João, que tinha testemunhas oculares, nada refere sobre estes efeitos operáticos naturalísticos próprios dum deus ex maquina.[3] Pois bem, a imaginação fantasiosa que em Mateus decorou as cenas da morte de Jesus terá sido a mesma que, de forma desastrada, interpolou a cena do anjo vingador na cena da ressureição de Jesus do mesmo autor.

 

O JOVEM DO ANUNCIO DA RESSURREIÇÃO

Porém, nada se teria dito sobre este efeito anedótico se não se suspeitasse que, apesar de tudo, algo de verídico terá acontecido, pelo menos na véspera do domingo de Páscoa! Para tanto necessitamos de comparar os restantes evangelista a respeito dos acontecimentos desse dia!

Luc. 44 E aconteceu que, estando elas perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois varões com vestes resplandecentes. 5 E, estando elas muito atemorizadas e abaixando o rosto para o chão, eles lhe disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? 6 Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia,

Joan. 11 11 E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro 12 e viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.

14 E, tendo dito isso, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. 15 Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. 16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer Mestre)! 17 Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

As divergências de João evangelista com os sinópticos em relação a esta cena não nos espantam visto, este, por meio de Maria Madalena, saber demais.

Mary, Mary - know me but do not touch me. Stop the tears from flowing and know that I am your master. Only do not touch me, for I haven't seen my Father's face yet. Your God wasn't stolen from you, as your small thoughts lead you to believe. Your God did not die, but mastered death! I am not the gardener! I have given life and received life eternal. But I now appear to you because I have seen the tears in your eyes. Throw your sadness away from me to wandering orphans. Start rejoicing now and tell the eleven. You will find them gathered on Jordan's bank. The traitor persuaded them to once again become fishermen as once they were and to lay down their nets that caught people to life! Say to them, 'Rise up! Let's go! Your brother calls for you!' If they scorn brotherhood with me, tell them, 'Your master calls.' If they disagree with that, tell them, 'It is your Lord.' Use all your skill to bring the sheep in to the shepherd. If you see that they have lost their wits for grief, draw Simon Peter away and say to him, 'Remember what I spoke to you about privately on the Mount of Olives: I have something to say but no one to say it to.' Gospel of Mani [4]

The prank that Jesus was playing upon this woman had gone too far. The woman had not been able to see through the disguise yet and Jesus was "laughing under his breath", but could restrain himself no longer. He blurts out: "M-A-R-Y!" Only the one word! But it was enough. This one word, "Mary!" did what all the exchange of words failed to do. It enabled Mary to recognise her Master. Everyone has his or her unique and peculiar way of calling one's nearest and dearest. It was not the mere utterance of the word "Mary", but its deliberate intonation which made her respond: "Master! Master"! Mad with happiness, she lunges forward to grab her Master, to pay reverence. Jesus says,

É fácil d verificar que, o que há de comum nos quatro evangelistas sobre esta cena é o facto de alguém vestido de branco falou com as santas mulheres a respeito do sepulcro vazio antes de Maria Madalena se ter encontrado com Jesus. O encontro de Madalena com o seu mestre (raboni ó rabino) Jesus e duma tal intensidade melodramática e dum tal intimismo que só mesmo Madalena o poderia descrever razão que reforça a tese de o 4º evangelho ser de facto uma inspiração directa de Maria Madalena. Porém, as incongruências de maior gravidade destes versículos comparados são as seguintes:

a)    Marcos e Lucas falam em seres humanos e Mateus e João em anjos.

b)     Lucas e João falam em duas entidades enquanto Marcos e Lucas falam apenas numa!

c)    Marcos, refere um jovem!

Parecendo contradições factuais graves a verdade é que tratando-se de factos que foram inegavelmente traumáticos (tanto sobre o ponto de vista pessoal para os interveniente quanto do ponto de vista social a ponto de terem sido o fundamento da religião cristã que marcou toda a cultura ocidental durante mais de 20 séculos!) é fácil de prever tais factos contados de boca em boca foram sujeitas aos naturais processos de degradação informativa que costumam ocorrer nestas situações. Ora, mesmo os próprios intervenientes acabam por ser as piores testemunhas quando comparadas com o conjunto testemunhal. E uma das provas major da veracidade dos evangelhos resulta precisamente destas inconsistências que só poderia ocorrer se tivessem resultado de visões diversas dos mesmos factos e não de formas diversas de contar a mesma história inventada por uma única fonte! O desempate final acaba por nos ser dado pelo evangelho de Pedro:

X - Prodigios que en el sepulcro ocurrieron 1.Empero, en la noche tras la cual se abría el domingo, mientras los soldados en facción montaban dos a dos la guardia, una gran voz se hizo oír en las alturas. 2. Y vieron los cielos abiertos, y que dos hombres resplandecientes de luz se aproximaban al sepulcro. 3. Y la enorme piedra que se había colocado a su puerta se movió por sí misma, poniéndose a un lado, y el sepulcro se abrió. Y los dos hombres penetraron en él. 4. Y, no bien hubieron visto esto, los soldados despertaron al centurión y a los ancianos, porque ellos también hacían la guardia. 5. Y, apenas los soldados refirieron lo que habían presenciado, de nuevo vieron salir de la tumba a tres hombres, y a dos de ellos sostener a uno, y a una cruz seguirlos. – Evangelio de Pedro.

Os “dois homens resplandecentes de luz” seriam dois jovens essénicos, que neste caso ficaram anjos por terem sido os mensageiros (grec. ággelos, mensageiro) da boa nova de que Jesus tinha ressuscitado de entre os mortos, essénicos vestidos, como habitualmente, do mais puro e alvo linho e acompanhados por lanternas, possivelmente por causa do lusco-fusco matinal.

Mas podemos estar apenas perante a retórica dos dois anjos clássicos da morte e do sono: Tánatos e Hipnos como no caso da maravilha representação da morte e resurreição do deus menino Sarpedon, os dos juízes dos mortos.

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O relato do evangelho de S. Pedro pode ter sido o primeiro esboço de evangelho de Marcos relatado por este mesmo que passou a noite no sepulcro com o seu amado mestre. O ter-se a pedra tumular movido por si mesma poder ter sido um mero erro de percepção, ou o resultado de um truque de engenharia movido por quem estaria dentro. No grupo dos três homens que saíram iria Jesus ainda cambaleante e, por isso mesmo, sustentado pelos dois outros como o atestou o evangelho perdido de Pedro.

y a una cruz seguirlos.6. Y la cabeza de los sostenedores llegaba hasta el cielo, mas la cabeza de aquel que conducían pasaba más allá de todos los cielos. 7. Y oyeron una voz, que preguntaba en las alturas: ¿Has predicado a los que están dormidos? 8. Y se escuchó venir de la cruz esta respuesta: Sí. 9. Los circunstantes, pues, se preguntaban unos a otros si no sería necesario marchar de allí, y relatar a Pilatos aquellas cosas. 10. Y, en tanto que deliberaban todavía, otra vez aparecieron los cielos abiertos, y un hombre que de ellos descendió y que entró en el sepulcro. – Evangelio de Pedro

Ignorando, obviamente, que Jesus já tinha sido retirado do túmulo, quem gritou do alto do túmulo seria o chefe do grupo deste essénicos que queria saber se os que estavam a dormir já tinham sido acordados. Referir-se-ia então a Jesus e possivelmente ao jovem essénico que o acompanhava e, àquela hora, estaria naturalmente a dormir também?

Se pensarmos que tinham entrado duas pessoas e que saíram pelo menos quatro pessoas (se é que foi apenas uma a acarretar a cruz) somos obrigados a concluir que, além de Jesus, pelo menos mais uma pessoa já estava no sepulcro com ele! Por outro lado, voltamos a encontrar a mesma convicção que já tínhamos encontrado durante a ressureição de Lázaro, de que a ressureição só se pode operar perante pessoas em estado de morte aparente, ou seja, adormecidos, na linguagem comum do tempo de Jesus!

Obviamente que, em parte, estamos perante uma descrição fantasmagórica que tanto pode ter resultado da comoção delirante dos espantados soldados como da imaginação apologética de S. Pedro. A verdade é que no contexto do enterro de Jesus uma cruz a andar dum lado para o outro no lusco-fusco da noite mediterrânica deve ter sido qualquer coisa de tétrico e, no entanto, ter sido algo muito simples. Os essénicos terão aproveitado para levar a cruz de Cristo que estaria ali por perto porque na aridez da Judeia a madeira seria um objecto precioso e, a da cruz de Jesus seria ainda de muita utilidade na rígida economia das comunidades essénicas. Ora bem, se pensarmos que as cruzes não se põem a andar por si mesmas e, como a crença no miraculoso cristão não implica a crença em fantasmas, somos obrigados a concluir que esta foi carregada por alguém que, por ter ambas as mão ocupadas a segurar a pesada cruz de Jesus, não se faria acompanhar de lanterna e por tanto não seria visível na escuridão, razão pela qual teria deixado nos espantados soldados a impressão de se ter movido por si mesma, aspecto fantasmagórico que terá contribuído ainda mais para o desnorte dos soldados, sobretudo quando esta se pôs a falar, obviamente que na pessoa que a carregava! A altura descomunal das cabeças ou resulta de mera fantasia literária ou de um erro descritivo do autor resultante do facto de se tratar de sombras projectadas na parede tumular pela luz das lanternas.

O mais fantástico desta descrição de S. Pedro reside no facto de descrições aparentemente tão ingénuas quão inverosímeis acabarem por revelar situações tão plausíveis e triviais e sem interesse apologético quanto difíceis de compreender num contexto de mero romance religioso. Na verdade, por via de regra, nas alegorias morais todos os pormenores costumam ser significantes.

1.Visto lo cual, el centurión y sus compañeros de guardia se apresuraron a ir a visitar a Pilatos por la noche, abandonando el sepulcro que vigilaran. Y contaron todo lo que habían presenciado, vivamente inquietos y diciendo: Verdaderamente era Hijo de Dios.2. Mas Pilatos, respondiendo, dijo: Yo estoy puro de la sangre del Hijo de Dios, y sois vosotros los que lo habéis decidido así. 3. Entonces todos le rogaron, sumisos, que ordenase al centurión y a los soldados no decir nada de lo que habían visto. 4. Porque (arguyeron), siendo culpable del mayor pecado ante Dios, nos importa no caer en manos del pueblo judío, y no ser lapidados. 5. Y Pilatos ordenó al centurión y a los soldados que nada dijesen. -- Evangelio de Pedro.

Obviamente que não cumpriram a sua palavra porque alguém terá dado com a língua nos dente ou os evangelistas nunca teriam sabido desta versão dos acontecimentos da ressureição contada pelo lado dos soldados. Evidentemente que a versão, dos essénicos, nunca foi contada porque então, nunca teria havido o equívoco que teria gerado o mito da ressureição!

XIII - Las mujeres encuentran el sepulcro abierto y un ángel les anuncia la resurrección de Jesús 1.Y, habiendo llegado al sepulcro, lo encontraron abierto. Y aproximándose, y bajándose a mirar, vieron, sentado en medio del sepulcro, un mancebo hermoso y vestido con una ropa muy brillante, que les dijo: 2. ¿Por qué habéis venido? ¿A quién buscáis? ¿Al crucificado? Resucitó, y se fue. Y, si no lo creéis, mirad, y ved que no está ya en el lugar en que se lo puso. Porque se ha levantado de entre los muertos, y se ha ido a la mansión de donde se lo había enviado. 3. Entonces las mujeres, espantadas, huyeron -- Evangelio de Pedro.

Mais uma vez o evangelho de S. Pedro explica a origem do anjo da ressureição que mais não seria do que uma forma retórica de referir aquele formoso jovem que deu a Madalena a notícia da ressureição! E é assim, que o mancebo da prisão de Jesus, do evangelho de S. Marcos, volta a aparecer na ressureição de Jesus:

«E entrando no túmulo viram um jovem sentado à direita coberto com uma túnica branca!».

Marc. 6 Porém ele disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus, o Nazoreno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. 7 Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse. [5]

Mat. 5 Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscai a Jesus, que foi crucificado. 6 Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia. 7 Ide, pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dos mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito.[6]

Se este jovem fosse Marcos (e, logo, também Lázaro) a sua irmã Maria Madalena deveria tê-lo reconhecido, se este não estivesse eventualmente disfarçado com um qualquer artifício (braqueando a cara com farinha, por exemplo!) ou meramente transfigurado pelos últimos acontecimentos da suposta morte de Jesus e difícil recuperação no túmulo de José de Arimateia! Mas, Maria Madalena também não reconheceu o seu amado Jesus antes de este se ter dado a conhecer, possivelmente porque o esperaria ver morto e nunca um fantasma disfarçado de hortelão, bem não pode ter também reconhecido o irmão que não esperava ali ou, se este lhe chegou a parecer o seu irmão, ficou de tal modo espantada que evitou confirma-lo.

De facto, o evangelista não deixa de realçar que mais do que espanto elas foram invadidas pelo temor que as pôs apavoradas e em fuga dali (e apressadamente, segundo Mateus!), pelo menos foi isto o que pareceu a Marcos. Ora, a verdade é que estamos no campo da pura opinião pessoal pois a verdade é que não foi esta a apreciação final que Mateus fez das informações que terá tido de testemunhos boca a boca que lhe chegaram aos ouvidos e ao entendimento! Em parte é esta afinal a explicação natural da diferença de relatos entre Mateus e Marcos que, no resto, são até mais ou menos coincidentes no essencial, fora as óbvias interpolações posteriores visando a apologética missionária da ressurreição.

Marc. 8 E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém, porque temiam.[7]

Mat. 8 E, saindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos seus discípulos.[8]

 

A este respeito, estranha-se que os exegetas nunca tenha reparado na flagrante contradição entre Marcos e Mateus ao ponto de se poder afirmar com segurança absoluta que dentre ambos pelo menos um se engana ou mente de tão incompatíveis e contraditórias que são estes dois testemunhos!

Ora, é precisamente aqui que se levanta a estranha controvérsia dos 12 últimos versículos de S. Marcos.

The oldest manuscript of the Gospel of Mark is currently in the Vatican library. It does not contain the last 12 verses of Mark. But to end the gospel with verse 8 leaves the women afraid and fails to record the resurrection, Christ's final instructions and the ascension. Irenaeus and Hypolytus in their writings of approximately 150 AD both quote from these twelve verses. The verses were not added then at a later date, but rather were somehow deleted from the oldest manuscript in the library. Yet, the version that exists today, includes the Resurrection, which was added in the 2nd century, making the last twelve verses of Mark fraudulent. However, research by Ivan Panin (outlined in a booklet called The Last Twelve Verses of Mark), utilizing analysis of numeric design, has done a lot to reaffirm its authenticity. There are nearly a hundred ecclesiastical writers older than the oldest of our Greek codices; while between A.D. 300 and A.D. 600 there are about two hundred more, and they all refer to these twelve verses. Papias (about A.D. 100) refers to v. 18 (as stated by Eusebius, Hist. Ecc. iii. 39). Justin Martyr (A.D. 151) quotes v. 20 (Apol. I. c. 45).Irenaeus (A.D. 180) quotes and remarks on v. 19 (Adv. Hoer. lib. iii. c. x.). Hippolytus (A.D. 190-227) quotes vv. 17-19 (Lagarde's ed., 1858, p. 74).

Em boa verdade, a controvérsia dos 12 últimos versículos de S. Marcos tem duas alternativas. Considera-los como uma interpolação para os por de acordo com os sinópticos que seria suposto serem cópias alteradas de Marcos e então, ficamos com a impressão de que este evangelista acabou o seu trabalho de forma a abrupta e, de tal modo gravemente inconclusiva que, em face do eterno silêncio das santas mulheres nada diziam a ninguém, porque temiam, que o cristianismo nunca teria acontecido ou teria nascido cocho e sem o mistério da ressurreição, o que teria impedido o virtuosismo apologético de S. Paulo. Ou aceitamos que os estudos textuais feitos revelam a autenticidade destes últimos e indispensáveis versículos de Mateus e então temos de admitir que eles foram propositadamente incómodo em algum lugar ou momento das Igreja nascente.

A study of the authenticity and interpretation of the last twelve verses of St Mark's Gospel. These verses are omitted from at least one important manuscript tradition and queried in most modern translations (though not from the NEB). Professor Farmer traces the history of the text tradition for omission back to Egypt, and argues that one important factor contributing to their omission was the dangerous teaching they seemed to contain: they appear to encourage Christians to handle deadly snakes and drink poisons to prove their faith, a practice which has been revived today by some Christian sects who accept the scriptural authority of these verses. The teaching of these verses has, however, never become established in orthodox Christianity and indeed most Christians are unaware of their doctrinal significance. Professor Farmer reviews all the textual and patristic evidence and examines the most plausible solutions that have been canvassed. This is another substantial contribution to a series that has set the highest standards of scholarship in biblical and New Testament studies. -- The Last Twelve Verses of Mark, William R. Farmer.

Marcus,16 9 E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. 10 E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes e chorando. 11 E, ouvindo eles que Jesus vivia e que tinha sido visto por ela, não o creram. 12 E, depois, manifestou-se em outra forma a dois deles que iam de caminho para o campo. 13 E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram. 14 Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. 15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. 16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. 17 E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; 18 pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão. 19 Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus. 20 E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!

Na verdade, admitir que Cristo ressuscitado apareceu primeiro a uma mulher, e logo Madalena deve ter sido um rude golpe para o patriarcado ortodoxo nascente nalgum tempo ou nalgum lugar do médio Oriente e daí a óbvia interpolação deselegante da “qual tinha expulsado sete demônios”. Também as criticas explícitas da tríplice incredulidade dos discípulos de quem os primeiros bispos da cristantade se supunham herdeiros da sua legitimidade apostólica, ainda que em si fosse menos constrangedora porque também Madalena não creu no jovem mensageiro e necessitou da aparição pessoal de Jesus para crer, seriam incómodas para a consolidação do poder eclesiástico emergente. A tese duma censura explicitamente dirigida aos ofitas talvez faça algum sentido na medida em que é sabido que estes eram maioria dos primeiros cristãos.

The so- called Ophites were, at one time, an exceedingly widespread school and community of early Christians who took for their symbol the serpent, the emblem of wisdom. (…) The Ophites, we learn, did not designate themselves as such, but called themselves "knowers" or "gnostics" and considered themselves the only real Christians. On the face of it, we have no reason to doubt this statement or refute it. (…)The Ophites, like the Essenes and Jewish gnostics, are said to have existed before the coming of Christ, and to have continued as a distinct group through the second century. As certain Essenes and pre- Christian Nazoreans may have embraced the teaching of Christ, there is evidence to suggest that this school also adopted and apparently taught the esoteric doctrine of Jesus and perhaps Paul. The Lost Christianity of the Original Sects 30 A. D. - 120 A. D.

The Ophites taught that Jesus was crucified at the instigation of Ildabaoth and his malignant powers. While Jesus hung on the cross, the Christos and Sophia departed from the body of Jesus, and he cried out, "My God, why hast thou forsaken me?" At his resurrection, Jesus was endowed with a body consisting of aether, the subtle plenum of energy from which matter is formed. The physical matter composing the body of Jesus thus returned to the elements.

De acordo com o realismo da vida a verdade estará com Marcos porque as santas mulheres não disseram nada a ninguém do sucedido porque temiam o inevitável! Maria Madalena terá imediatamente suspeitado que seu irmão, que já tinha a cabeça a prémio por ter participado na altercação pública da “ressureição de Lázaro”, estaria envolvido num novo escândalo, agora bem mais grave por se tratar do roubo do corpo dum condenado pelas autoridades romanas. Na verdade tanto assim seria que o evangelho de Pedro confirma que os discípulos continuavam aflitos!

XIV - Los discípulos continúan afligidos1. Y era el último día de los Ázimos, y muchos salían de la ciudad, y regresaban a sus hogares, por haber terminado la fiesta. 2. Nosotros, los doce discípulos del Señor, llorábamos y nos afligíamos. Y cada cual, apesadumbrado por lo que sucediera, se retiró a su casa. 3. Cuanto a mí, Simón Pedro, y a Andrés, mi hermano, tomamos nuestras redes y nos fuimos al mar. Y estaba con nosotros Levi, hijo de Alfeo, cuando el Señor...-- -- Evangelio de Pedro.

Como ficou evidente em Marcos o que fez modificar a atitude de Maria Madalena foi a própria aparição de Jesus, aspectos que esta vai inspirar nos relatos sobre este mesmo assunto do evangelho de S. João. Ora, é precisamente agora que temos que reconhecer que a tese de que Marcos seria este mancebo, irmão de Maria Madalena (e possivelmente também o “discípulo amado”!) implica algumas dificuldades práticas circunstanciais, bem como levanta algumas questões pertinentes sobre a forma como os sinópticos se copiaram entre si!

Como a ordem dos relatos da manhã da ressurreição não correspondem ao dos sinópticos que deles fizeram um testemunho mais precoce podemos reordenar a descrição destes de molde a ficarem mais de acordo com os sinópticos.

João 20, 1 E, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. 2 Correu, pois, e foi a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. 3 Então, Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao sepulcro. 4 E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5 E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia, não entrou. 6 Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis 7 e que o lenço que tinha estado sobre a sua cabeça não estava com os lençóis, mas enrolado, num lugar à parte. 8 Então, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. 9 Porque ainda não sabiam a Escritura, que diz que era necessário que ressuscitasse dos mortos. 10 Tornaram, pois, os discípulos para casa.

11 E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro 12 e viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.

14 E, tendo dito isso, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. 15 Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. 16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer Mestre)! 17 Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. 18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor e que ele lhe dissera isso.

João 20, 1 E, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. 11 E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro 12 e viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. 14 E, tendo dito isso, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. 15 Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. 16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer Mestre)! 17 Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor e que ele lhe dissera isso.

2 Correu, pois, e foi a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. 3 Então, Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao sepulcro. 4 E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5 E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia, não entrou. 6 Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis 7 e que o lenço que tinha estado sobre a sua cabeça não estava com os lençóis, mas enrolado, num lugar à parte. 8 Então, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. 9 Porque ainda não sabiam a Escritura, que diz que era necessário que ressuscitasse dos mortos. 10 Tornaram, pois, os discípulos para casa.

João, por ter sido o último a relatar estas cenas pode tê-las baralhado um pouco na memória e então a cena poderia ser recomposta mais ou menos assim:

João 20 1 E, no primeiro dia da semana, Maria Madalena (Maria Salomé e Maria, mãe de Tiago) compraram aromas para irem ungi-lo e foram ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viram a pedra tirada do sepulcro.

Marcos 16: 5 E, (Maria Salomé e Maria, mãe de Tiago) entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida e branca; e ficaram espantadas. 6 Porém ele disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. 7 Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse. 8 E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém, porque temiam.

João 2 Correram, pois, e foram a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.

A respeito da versão de João, é forçoso notar aqui que Maria Madalena pode ter-se equivocado e pensado que o “discípulo amado”, que ultimamente andava sempre com Pedro, teria saído com ele. Na verdade, o “discípulo amado” ter-se-á encontrado com Pedro quando este se dirigiu ao sepulcro onde tinha estado depositado o corpo de Jesus.

O “discípulo amado” nunca terá saído de perto do túmulo e quando Maria Madalena chegou viu os lençóis para se certificar que tudo estava como Jesus pretendia.

E é então que em vez de um anjo aparecem dois anjos que Lucas, mais pragmático e menos tentado a acreditar em ilusões racionalizou como sendo (Luc. 44) dois varões com vestes resplandecentes, que seriam os que iriam aparecer a Maria Madalena, porque entretanto se teriam sentado juntos à sua espera. O aspecto do “discípulo amado” seria de tal modo o de alguém transformado num anjo, segundo as técnicas de disfarce essénio, que nem a irmã o reconheceu!

Maria Madalena não teria seguido as outras mulheres porque teria ficado para trás desalentada por, na sua alma de apaixonada se ter sentido subitamente só e abandonada, razão porque não sua memória iria descrever esta cena como tendo chegado sozinha ao local do sepulcro.

11 E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro e ao descer em direcção ao o sepulcro 12 viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.

Neste entretanto o “discípulo amado” resolveu deixar Jesus a sós e foi para casa ao encontro de. Claro que se estranha que não tenha relatado o seu encontro com a irmã nem praticamente mas nada a partir do versículo 8º do seu evangelho mas há tantas razões para omitir factos incómodos que no caso de Lázaro poderemos dizer mesmo que seriam múltiplos e variados! Lázaro / Marcos, que já tinha a cabeça a prémio pela sua própria ressurreição decidiu não se comprometer mais neste assunto possivelmente porque o próprio Jesus a tal o aconselhou! De facto, o “jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida e branca” seria o Jovem rico, ou seja o próprio Marcos / Lázaro e discípulo amado que nunca largou Jesus nos últimos meses da Paixão! Entretanto, Marcos afastou-se a mando de Jesus para se ir juntar aos discípulos o que fez tão discretamente que Madalena, ficou ainda mais um pouco dando voltas pelo jardim, nunca se apercebeu do facto.

14 E, (algum tempo depois), voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. 15 Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. 16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer Mestre)! 17 Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para junto de meus irmãos e diz-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. 18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor e que ele lhe dissera isso.

A versão de Mateus é seguramente mal entendida deste relato de Maria Madalena, e por isso de pouco crédico para a comprensão sinótica deste evento:

E, indo elas, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés e o adoraram. 10 Então, Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão a Galiléia e lá me verão.

João 20 Então, Pedro saiu com o outro discípulo e foi ao sepulcro. 4 E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo (terá corrido) mais apressadamente do que Pedro porque chegou primeiro ao sepulcro. 5 E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia, não entrou.

Como Maria Madalena viu agora Pedro e o outro discípulo chegarem juntos muitos anos mais tarde a sua memória tentou reorganizar os eventos deduzindo que teriam saído também juntos de casa e que o jovem teria corrido mais do que Pedro. Na verdade, ela própria se terá esquecido que nesse dia não terá acompanhado as outras mulheres quando estas desceram a a nunciar o túmulo vazio!

6 Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis 7 e que o lenço que tinha estado sobre a sua cabeça não estava com os lençóis, mas enrolado, num lugar à parte.

8 Então, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro e viu, e creu. 9 Porque ainda não sabiam a Escritura, que diz que era necessário que ressuscitasse dos mortos.

Este versículo é uma óbvia interpolação porque sendo o outro discípulo o amado seria o primeiro a crer mesmo sem ver como todos os amantes naturalmente fazem por desejo e recusa em aceitar a perda do ente querido. Então podemos inferir que o discípulo amado foi ter com Jesus e sentou-se ao seu lado à espera de Maria Madalena. Mas esta seria uma forma rebuscada de contar esta cena quando esta fica mais fácil de entender se pensarmos que foi Madalena que deturpou na sua memória a sequência mais plausível dos factos.

Assim, o anúncio da ressurreição ficou inteiramente à responsabilidade de Maria Madalena fazendo os ortodoxos desta aquela a que chamavam Apóstola apostolorum.

10 Tornaram, pois, os discípulos para casa, reforçado assim a convicção em Maria Madalena de que teriam saído e andado sempre juntos.

Com esta nova reordenação dos versículos de S. João podemos já então compreender que as santas mulheres surpreenderam o jovem na altura em que Jesus acabara de acordar tomando-os a ambos por dois anjos não tendo, de facto reconhecido nenhum deles. O jovem do túmulo vazio teve de o abandonar à pressa deixando os lençóis no chão. Entretanto, Madalena ficou para traz a falar com Jesus o que deu tempo para que o “jovem anjo”, robusto como soíam ser os daqueles tempos de adversidade, chegasse junto dos discípulos e esperar pelo anúncio da ressurreição feito pela boca de sua irmã Maria Madalena.

Marcos era um jovem recém iniciado por Jesus nos mistérios do esoterismo e é o único que atesta no seu evangelho a constante preocupação pelo lado secreto de certas a atitudes do seu querido mestre, pelo que, por muito que lhe tenha custado manter o segredo de que o seu amado Jesus estava vivo, acabou por esperar que fosse sua irmã a revelado dando-lhe elegantemente a precedência apostólica.

The fact that Jesus, after his supposed resurrection, was so seldom with his disciples, and for so short a time, is a proof that his natural human body, weak with wounds, did require longer rest after some exertion. His absence thus shows, that he was conscious of the real position. Had he been resurrected from the dead he should have shown himself to his enemies also and thus convinced them of his Divine origin. But he did not do so. In fact he did not wish to face another trial and ordeal, and so he used to disappear as suddenly as he used to appear. It may be urged that if he needed bodily rest he should have remained with his disciples who would have attended him with love and care. But Jesus could not run the risk of another betrayal: he had already had a foretaste of it, and his disciples even after his appearances were wondering and doubting. The question then arises: where did he live during the long intervals between the appearances in the wilderness or in the mountains?

O resto foi o restante da vida oculta de Jesus que marcos acabou por não acompanhar porque tendo a cabeça a prémio fugiu para Chipre ou para a Sirenaica para casa de seu primo Bartolomeu.

Actos 1 6 Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? 7 E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. 8 Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. 9 E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando -o a seus olhos. 10 E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, 11 os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.

Ainda que alguns não tenho perdido a esperança em Jesus restaurar o trono de Israel Jesus sem ter excluído por completo tal hipótese como o fazem todos os político hábeis acabou por remeter esse assunto para as calendas gregas.

Depois da despedida cerimoniosa da Ascensão Jesus passou a uma longa vida de clandestinidade superprotegida pela rede difusa dos poderes essénicos com reaparições frequentes junto dos seus discípulos descritas nos quatro evangelhos e nos Actos dos Apóstolos pois a aparição de Jesus a Paulo no caminho de damasco só pode ter sido mais um dos truques mágicos do genial Jesus. De acordo com o testemunho de Santo Ireneu Jesus viveu na Ásia menos até uma avançada idade o que prova que a sua ressurreição foi uma mera reanimação em todo o caso miraculosa para o seu tempo.

On completing His thirtieth year He suffered, being in fact still a young man, and who had by no means attained to advanced age. Now, that the first stage of early life embraces thirty years, and that this extends onwards to the fortieth year, every one will admit; but from the fortieth and fiftieth year a man begins to decline towards old age, which our Lord possessed while He still fulfilled the office of a Teacher, even as the Gospel and all the elders testify; those who were conversant in Asia with John, the disciple of the Lord [affirming] that John conveyed to them that information. And he remained among them up to the time of Trajan. Some of them, moreover, saw not only John, but the other apostles also, and heard the very same account as to the [validity of] the statement. -- The tradition relayed by Ireaneus.

It is not known how Irenaeus assimilated this information into his belief in the resurrection. The editors of Ante-Nicene Fathers called it an "extraordinary assertion," but could only imply that Irenaeus had somehow been grossly in error. It should be clear that if the statement had merely involved the fact that Jesus had been a teacher for one, two or three years until the day he was crucified, this is not anything Irenaeus would have bothered to report, as Christians already knew that. The mention of Asia in the above report probably refers to Asia Minor, or Anatolia. --- Survival of the Crucifixion: Traditions of Jesus within Islam, Buddhism, Hinduism and Paganism, James W. Deardorff December, 1993; revised March, 1998

 



[1] 1 And when the sabbath was past, Mary Mag'dalene, and Mary the mother of James, and Salo'me, bought spices, so that they might go and anoint him. 16.2 And very early on the first day of the week they went to the tomb when the sun had risen. 16.3 And they were saying to one another, "Who will roll away the stone for us from the door of the tomb?" 16.4 And looking up, they saw that the stone was rolled back; -- it was very large. 16.5 And entering the tomb, they saw a young man sitting on the right side, dressed in a white robe; and they were amazed.

[2] 1 Now after the sabbath, toward the dawn of the first day of the week, Mary Mag'dalene and the other Mary went to see the sepulchre

28.2 And behold, there was a great earthquake; for an angel of the Lord descended from heaven and came and rolled back the stone, and sat upon it. 28.3 His appearance was like lightning, and his raiment white as snow. 28.4 And for fear of him the guards trembled and became like dead men.

[3] A expressão do título reporta-nos ao antigo teatro grego e significa um recurso cénico onde um actor, representando um dos (muitos) deuses gregos era introduzido em cena através de dispositivos mecânicos que, literalmente, o faziam "baixar" no palco. Sua chegada tinha como intuito apaziguar as divergências e resolver, por interferência divina, as pendências entre os "míseros mortais. -- Wagner Gutterres, SENAC/RJ, waggut@web4u.com.br

[4] These fragments are from The Book of Mysteries, TheCoptic Psalm Book, and The Gospel of Mani (a commentary on the gospel of Jesus

[5] 16.6 And he said to them, "Do not be amazed; you seek Jesus of Nazareth, who was crucified. He has risen, he is not here; see the place where they laid him.

16.7 But go, tell his disciples and Peter that he is going before you to Galilee; there you will see him, as he told you."

[6] 28.5 But the angel said to the women, "Do not be afraid; for I know that you seek Jesus who was crucified. 28.6 He is not here; for he has risen, as he said. Come, see the place where he lay.

28.7 Then go quickly and tell his disciples that he has risen from the dead, and behold, he is going before you to Galilee; there you will see him. Lo, I have told you."

[7] 16.8 And they went out and fled from the tomb; for trembling and astonishment had come upon them; and they said nothing to any one, for they were afraid.

[8] 28.8 So they departed quickly from the tomb with fear and great joy, and ran to tell his disciples.